{"id":121,"date":"2025-01-31T00:09:58","date_gmt":"2025-01-31T00:09:58","guid":{"rendered":"https:\/\/regressoacasa.pt\/?p=121"},"modified":"2025-12-23T00:26:31","modified_gmt":"2025-12-23T00:26:31","slug":"sera-possivel-preparar-o-lar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/regressoacasa.pt\/?p=121","title":{"rendered":"Ser\u00e1 poss\u00edvel preparar o Lar?"},"content":{"rendered":"\n<p>Uma das grandes quest\u00f5es que me assola, foi se poderia ter feito alguma coisa para que as minhas filhas, quando nasceram, tivessem encontrado um Lar mais bem preparado para as receber. Como s\u00f3 agora penso nisso, j\u00e1 n\u00e3o vou a tempo para os primeiros anos das suas vidas. Mas ainda estarei a tempo para o que ainda falta viverem neste Lar, &#8220;patrocinado&#8221; por estes pais.<\/p>\n\n\n\n<p>Mudar o que quer que seja depois do que quer que seja j\u00e1 estar feito, \u00e9 contranatura. Em bom portugu\u00eas, \u00abchorar sobre o leite derramado\u00bb. Mudar, depois de decidido e entranhado nas nossas rotinas, requer um esfor\u00e7o herc\u00faleo da nossa parte. N\u00f3s tendemos naturalmente para o conforto do que conhecemos. Nada contra. Mas \u00e9 exatamente por isso que se deve pensar nas coisas importantes hoje para que n\u00e3o seja preciso mud\u00e1-las j\u00e1 amanh\u00e3. Existe um princ\u00edpio na produ\u00e7\u00e3o de pensamento a que eu chamo de&nbsp;<strong>engenharia robusta<\/strong>. Este princ\u00edpio defende que: at\u00e9 onde as minhas capacidades actuais e imagina\u00e7\u00e3o alcancem, devo recrut\u00e1-las.<\/p>\n\n\n\n<p>Ora, para recrutar tudo o que temos dispon\u00edvel, \u00e9 preciso parar. At\u00e9 defendo uma certa e constante dose de puro \u00f3cio nas nossas vidas. Nada far\u00e1 mais por n\u00f3s do que horas a fio de puro nada. Ser\u00e1 neste estado, dizem, que nos conseguimos encontrar. Que ap\u00f3s o frenesim exterior se calar e a poeira do barulho interior assentar, \u00e9 que estaremos em condi\u00e7\u00f5es de nos vermos como realmente somos. E \u00e9 nesse estado de reconhecimento que podemos escolher ser outra coisa que n\u00e3o aquela que estamos a ser. Que escolhemos dar prioridade a outras coisas que n\u00e3o aquelas a que estamos a dar. \u00c9 neste estado que enxergamos com maior clareza a nossa natureza \u00fanica e decidimos manter as coisas em que acreditamos apesar de algumas pessoas \u00e0 nossa volta nos estarem a persuadir para as abandonarmos ou para as substituirmos por outras.<\/p>\n\n\n\n<p>Mudar \u00e9 mesmo dif\u00edcil. E enquanto n\u00e3o acreditarmos nisto continuamos a romancear o nosso poder sobre n\u00f3s mesmos. Como aquela atitude que colocamos nos desejos de fim de ano e in\u00edcio do outro, que, por estarem rodeadas de aut\u00eanticos buracos negros, prontos a sugar o nosso desejo para o infinito e mais al\u00e9m, n\u00e3o v\u00e3o muito provavelmente resultar. Para atingir a concretiza\u00e7\u00e3o de um desejo, sabemos que precisamos de um caminho. Ora, se esse caminho est\u00e1 pejado de obst\u00e1culos que s\u00e3o abomin\u00e1veis para n\u00f3s e que nos assustam e que nos tiram a vontade de continuar, o tal desejo dissolve-se. Puf! Desaparece sem a nossa interven\u00e7\u00e3o. Ou, o que nos d\u00e1 muito jeito, desparece com a &#8220;interven\u00e7\u00e3o&#8221; dos tais obst\u00e1culos. E n\u00f3s, ficamos satisfeitos pelo simples facto de n\u00e3o nos confrontarmos com a desilus\u00e3o e a frustra\u00e7\u00e3o de mais um desejo por realizar. E \u00e9 por isso que desejamos o que j\u00e1 sabemos que n\u00e3o vai ser atingido porque o caminho necess\u00e1rio, que j\u00e1 sab\u00edamos s\u00f3 poder ser aquele, est\u00e1 cheio de buracos sugadores que ir\u00e3o impedir a sua concretiza\u00e7\u00e3o. Somos os nossos maiores &#8220;boicotadores&#8221;: \u00abQuero perder 10 kilos este ano\u00bb. Mas alimento-me mal e sempre \u00e0 pressa, muito trabalho. N\u00e3o vou fazer desporto, porque chove, porque tenho as compras do fim do dia, porque os filhos, porque n\u00e3o me apetece, porque tudo \u00e9 melhor programa do que ir treinar, e umas quantas mil desculpas.<\/p>\n\n\n\n<p>O meu conselho, se \u00e9 que o querem, \u00e9 f\u00e1cil: J\u00e1 se conhecem, ent\u00e3o n\u00e3o formulem esse desejo.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas por que me estou a demorar neste tema? Claramente para vos sensibilizar para a necessidade de nos levarmos a s\u00e9rio, sempre que o que est\u00e1 em causa para a nossa vida \u00e9&nbsp;<strong><em>game changing<\/em><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Defendo um ambiente \u00e0 nossa volta tendente a permitir uma total liberdade de escolha. Este tem sido o caminho das sociedades mais avan\u00e7adas. Mas eu gosto de a colocar paredes-meias com a responsabilidade perante os outros. Uma velha ideia com uma l\u00f3gica imbat\u00edvel. Se eu n\u00e3o respeito o outro, estou a dizer ao outro que tem a liberdade de n\u00e3o me respeitar. O meu caminho, aquele que eu escolho fazer, n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel trilhar se tiver milhares de pessoas a boicotarem-me. Um exemplo simples: em algumas sociedades persiste o facto de s\u00f3 se poder casar com uma pessoa da mesma comunidade. Tenho a liberdade de casar com quem quiser, desde que seja com uma pessoa de entre estas deste grupo. Ora, se a pessoa que est\u00e1 &#8220;destinada&#8221; para mim est\u00e1 fora da minha comunidade e se eu aceito esta regra ent\u00e3o a liberdade n\u00e3o \u00e9 plena. Os outros n\u00e3o me est\u00e3o a respeitar e isso vai ter uma consequ\u00eancia tremenda\u2026 n\u00e3o irei casar por amor.<\/p>\n\n\n\n<p>Todas as nossas escolhas, se n\u00e3o forem no seio desta liberdade individual respeitadora da liberdade dos outros, v\u00e3o ter consequ\u00eancias no tempo. Uma din\u00e2mica que nos faz lembrar o &#8220;<strong>efeito borboleta<\/strong>&#8220;. O que escolho agora infere em muito o que vou viver l\u00e1 \u00e0 frente, em consequ\u00eancia dessa escolha. Dramatismos \u00e0 parte, apenas real\u00e7o a necessidade de o assumirmos honestamente. Esta \u00e9 talvez a primeira das verdades a ser assimilada. Como \u00e9 \u00f3bvio, v\u00e1lida para quem aceitar que esta \u00e9 uma verdade pela qual vale a pena lutar. Vale a pena interiorizar. Vale a pena viver atrav\u00e9s de\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Depois, \u00e9 perceber que este &#8220;efeito borboleta&#8221; n\u00e3o explica apenas o caos, mas tamb\u00e9m o encadeamento das coisas boas que adv\u00eam das nossas escolhas. Se (e quando) aceitarmos que isto \u00e9 verdade, a nossa forma de estar hoje responsabiliza-se automaticamente com a vida que a\u00ed vem. Assumir que a pessoa que estou a escolher experimentar uma vida a dois trar\u00e1 muito impacto \u00e0 minha vida. Apesar de saber da liberdade que tenho para acabar com todas as rela\u00e7\u00f5es que n\u00e3o d\u00e3o certo, este \u00e9 um enorme e grandess\u00edssimo engano sobre levar a vida para afrente. Voltamos ao in\u00edcio. N\u00f3s temos uma enorme in\u00e9rcia \u00e0 mudan\u00e7a. Depois de nos aninharmos ao outro e \u00e0 rotina que trazemos um ao outro, e quando esta rela\u00e7\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o nos satisfaz, a nossa escolha de continuar no mesmo s\u00edtio ficar\u00e1 por umas 9 em 10 vezes.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 o facto de poder facilmente sair de uma rela\u00e7\u00e3o (liberdade), que me permite n\u00e3o amadurecer as minhas escolhas. \u00c9 minha obriga\u00e7\u00e3o para comigo mesmo, &#8220;perder&#8221; o tempo e esperar o tempo que for preciso, at\u00e9 ter uma maior certeza sobre se \u00e9 esta A minha pessoa.<\/p>\n\n\n\n<p>A vida corre como nunca. Conseguir abrandar? Talvez com a idade. Em novos e com tanta coisa para fazer, desacelerar pode n\u00e3o ser uma op\u00e7\u00e3o que nos tranquilize. Mas podemos conseguir conviver com isso de uma maneira saud\u00e1vel. Podemos, por exemplo, parar para pensar e refletir apenas nas fazes mais importantes. Fazer a lista do que \u00e9 enorme na nossa vida e que, por isso mesmo, ocupa uma import\u00e2ncia t\u00e3o grande que n\u00e3o a podemos negligenciar com a nossa pressa de viver. Fa\u00e7am essa lista. De todas as coisas que l\u00e1 v\u00e3o colocar, uma delas \u00e9 transversal: A&nbsp;<strong>rela\u00e7\u00e3o amorosa<\/strong>. A pessoa que convidamos para a nossa intimidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem amor, sem termos a quem dar o nosso e ter quem nos d\u00ea o deles, a vida saber\u00e1 a pouco e ro\u00e7a a aus\u00eancia de sentido. Podemos ignorar esta pedra no nosso caminho para a felicidade, mas mais vale enfrent\u00e1-la. Aceitar, frente ao espelho, que isto \u00e9 importante para mim. Matutar e exigir uns m\u00ednimos &#8220;ol\u00edmpicos&#8221; que dever\u00e3o estar presentes para que esta rela\u00e7\u00e3o amorosa, que agora come\u00e7a, fique com uma probabilidade de resultar maior do que a de acabar ao fim de pouco tempo. Mas n\u00e3o \u00e9 bem isso que me interessa. O que eu quero \u00e9 evitar uma outra probabilidade\u2026 a de continuar a viver a rotina de uma rela\u00e7\u00e3o que n\u00e3o me acrescenta nada a esse caminho que quero fazer em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 felicidade. Ver-me enredado numa hist\u00f3ria que a \u00fanica coisa que me traz \u00e9, e apenas, ficar encravado no meio do nada.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Parar. Matutar. Eleger as nossas principais coisas. Escrev\u00ea-las no cora\u00e7\u00e3o para n\u00e3o mais esquecer.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 que se v\u00e1 fazer entrevistas as todas as pessoas &#8220;candidatas&#8221;. Mas se o pensarmos com tempo, melhor o interiorizamos e vai ser-nos natural detectar tudo o que nos \u00e9 importante que essa pessoa possua. Depois de matutar sobre o que queremos, passamos a confiar no processo de sentir que devemos dizer sim a esse algu\u00e9m. Porque quem est\u00e1 a dizer esse sim, \u00e9, agora, uma pessoa madura. Emocionalmente madura. E esse processo natural, n\u00e3o \u00e9 mais do que eu ter a certeza do que quero. Do que me faz bem. Do que me acrescenta. Do que me traz momentos de alegria sem qualquer esfor\u00e7o. Ningu\u00e9m tem momentos de felicidade sem primeiro experimentar momentos de alegria.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta pessoa que agora escolhi para dentro da minha intimidade vai ser quem vai construir um Lar comigo e com quem eu vou escolher os amigos que nos visitam e os amigos que iremos visitar. Esta comunidade constru\u00edda a dois \u00e9 de enorme import\u00e2ncia e influ\u00eancia. Mais uma vez, n\u00e3o \u00e9 depois de conviver com estes amigos anos a fio, que vou achar que vai ser f\u00e1cil de acabar com as rela\u00e7\u00f5es. Posso, \u00e9 verdade, tenho toda a liberdade para o fazer, mas n\u00e3o confio que esta seja a minha tend\u00eancia para o fazer. O tal conforto da repeti\u00e7\u00e3o corta em muito a minha predisposi\u00e7\u00e3o para rever estas rela\u00e7\u00f5es humanas.<\/p>\n\n\n\n<p>Interessa-me falar desta fase. Aquela em que, j\u00e1 a dois, devemos parar e matutar. Adoro esta palavra de um portugu\u00eas mais antigo. Matutar significa, para mim, pensar (o que fazemos constantemente) muitas vezes at\u00e9 chegar a uma conclus\u00e3o. Foi assim que o meu pai me a entregou sempre que a usava. Fazer a lista do que vos \u00e9 importante, agora a dois. Tomar resolu\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o a isso. Escrev\u00ea-las. Ver o que j\u00e1 t\u00eam e o que n\u00e3o tendo querem ter. N\u00e3o \u00e9 um processo f\u00e1cil, mas pode ser facilmente prazeroso. Divirtam-se a simular o que querem para o vosso Lar. Que din\u00e2mica querem transparecer como prova dessas escolhas. Imaginem que s\u00e3o visitados por outros casais e que sensa\u00e7\u00f5es gostariam de&nbsp;<strong>inspirar nos outros<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais uma palavra importante para mim. A palavra inspirar cont\u00e9m a palavra inspirar-se. J\u00e1 o contr\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 verdade. Eu posso inspirar-me, numa \u00f3ptica de consumidor e nunca sentir que deva inspirar os outros. No entanto, assim que escolhes e aceitas a responsabilidade de inspirar os outros, como por exemplo os teus filhos, tudo muda na forma como buscas o conhecimento e a sabedoria. \u00c9 a diferen\u00e7a entre acreditar no que te dizem e ir \u00e0 procura da verdade sobre o que te dizem. \u00c9 a mesma coisa nas palestras. Quando sobes a um palco, tens de saber o que vais dizer. N\u00e3o aceitas dizer as coisas de uma forma leviana. Ou leste e citas algu\u00e9m ou, se est\u00e1s a inovar e a desbravar caminhos nunca antes desbravados, tens de investigar vezes sem conta, usando da introspe\u00e7\u00e3o para o fazer. Mas, como disse, se a pegada que queremos deixar \u00e9 inspirar os outros, sabemos, l\u00e1 bem no fundo, que temos de merecer esse palco. Esse tempo de antena. E isso s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel de se fazer, com honestidade, se procurarmos, primeiro, ficar inspirados. Temos de nos (in)cansar at\u00e9 ao ponto em que sentimos que j\u00e1 conseguimos inspirar os outros.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora que j\u00e1 sabem ao que o vosso Lar vai saber e como este vai inspirar todos os que vos visitam, est\u00e3o preparados para o grande desafio que \u00e9 a vinda dos filhos e j\u00e1 n\u00e3o precisam de mais conselhos meus. Mas antes de terminar este texto, vou deixar-vos com algumas dicas sobre como promover essa discuss\u00e3o saud\u00e1vel e animada no seio do casal, sem que se torne uma discuss\u00e3o amarga e, principalmente, sem que cheguem a lado algum.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Heran\u00e7a geracional<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Vejam entre os dois aquilo que s\u00e3o as coisas que admiraram na casa dos vossos pais e o que n\u00e3o gostaram assim tanto. Depois, com a ajuda um do outro, tentem detectar aquilo que, sem querer, trouxeram convosco ainda que n\u00e3o desejassem e o que n\u00e3o trouxeram ainda que agora afirmem que gostassem de ter trazido. Estas s\u00e3o as afina\u00e7\u00f5es \u00e0 lista das coisas que vos ligam a esta heran\u00e7a geracional.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Deixem-se inspirar<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Outra dica \u00e9 tornarem-se mais atentos quando visitam os outros lares. Pode ainda justificar-se que um olhar mais atento ainda refine a vossa percep\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao Lar de cada um dos vossos pais, mas, e principalmente, estou agora a falar dos Lares da vossa fam\u00edlia alargada e dos vossos amigos. Coisas que admirem e que essas fam\u00edlias fazem e que, muito importante, pensam que pode resultar convosco. Por exemplo, admirar que o jantar seja um ritual onde todos falam e contam a suas hist\u00f3rias, recolhidas durante o dia que acabou de ser vivido, quando um de voc\u00eas trabalha por turnos. Isto n\u00e3o ser\u00e1 algo exequ\u00edvel\u2026 pelo menos para j\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O ar que se respira<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Eu, em especial, gosto muito deste desafio. Porque ainda faltar\u00e1 conversar sobre o que ningu\u00e9m ainda est\u00e1 a trazer, apesar de terem trabalhado nas duas dicas anteriores, e que ainda n\u00e3o est\u00e1 escrito e aceite pelos dois e que pode ser muito importante.<\/p>\n\n\n\n<p>Quem visita a casa de amigos e est\u00e1 minimamente atento, e n\u00e3o estou a falar da decora\u00e7\u00e3o da casa, da desarruma\u00e7\u00e3o, da falta da manuten\u00e7\u00e3o, e outros exemplos meio \u00f3bvios, estou a falar daquele ambiente humano que se respira e que apanhamos no ar e que, ou gostamos ou n\u00e3o gostamos. Quase que um sexto sentido a ser activado. N\u00e3o se explica e muitas das vezes nem conseguimos colocar por palavras, tal \u00e9 a leveza do conceito com que estamos a lidar e que se nos escapa por entre os dedos.<\/p>\n\n\n\n<p>A isso que esta leve sensa\u00e7\u00e3o apanha, eu chamo de&nbsp;<strong>Ingredientes do Lar<\/strong>. Ou existem ou n\u00e3o existem, mas sabemos que influenciam em muito a din\u00e2mica daquela fam\u00edlia. Existem ingredientes para todos os gostos, claro, mas uns v\u00e3o ocupar um lugar de destaque. L\u00e1 est\u00e1, cada fam\u00edlia \u00e9 \u00fanica e vai sendo cada vez mais \u00fanica na exata medida dos ingredientes que escolhe, acolhe e lhes d\u00e1 import\u00e2ncia. Mais uma vez, n\u00e3o existe universalidade nesta escolha. N\u00e3o existem Os ingredientes certos. Mas isso \u00e9 o que \u00e9 divertido de se fazer a dois: escolher o que poder\u00e1 ser o vosso cabaz de ingredientes que voc\u00eas acham absolutamente imprescind\u00edveis. Primeiro escolham um ingrediente. Depois vejam o seu n\u00edvel actual de utiliza\u00e7\u00e3o e se esse n\u00edvel \u00e9 satisfat\u00f3rio ou n\u00e3o. Se n\u00e3o for, escrevam coisas que podem fazer para aumentar a sua presen\u00e7a ou o tornar num h\u00e1bito\/ritual da vossa casa.<\/p>\n\n\n\n<p>Deixo aqui alguns exemplos que me s\u00e3o muito caros:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Intimidade;<\/li>\n\n\n\n<li>afetividade;<\/li>\n\n\n\n<li>igualdade;<\/li>\n\n\n\n<li>respeito;<\/li>\n\n\n\n<li>amizade;<\/li>\n\n\n\n<li>fraternidade (civismo).<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>V\u00e3o, divirtam-se e multiplicai-vos. Onde \u00e9 que eu j\u00e1 ouvi isto!<\/p>\n\n\n\n<p>Sejam atentos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma das grandes quest\u00f5es que me assola, foi se poderia ter feito alguma coisa para que as minhas filhas, quando nasceram, tivessem encontrado um Lar mais bem preparado para as receber. Como s\u00f3 agora penso nisso, j\u00e1 n\u00e3o vou a tempo para os primeiros anos das suas vidas. 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