{"id":131,"date":"2025-05-02T00:13:49","date_gmt":"2025-05-02T00:13:49","guid":{"rendered":"https:\/\/regressoacasa.pt\/?p=131"},"modified":"2025-12-23T00:23:52","modified_gmt":"2025-12-23T00:23:52","slug":"o-que-queremos-do-lar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/regressoacasa.pt\/?p=131","title":{"rendered":"O que queremos do Lar?"},"content":{"rendered":"\n<p>Continuo, empolgado, na venda desta ideia de que existem quatro personagens no nosso Lar:&nbsp;<strong>Eu, N\u00f3s, Tu e Eles<\/strong>. Mas n\u00e3o nos podemos esquecer da Personagem que todos ajudamos a criar e que ganha a sua vida pr\u00f3pria. Uma personagem t\u00e3o independente como cada um de n\u00f3s. Essa&nbsp;<strong>Quinta Personagem \u00e9 o Lar<\/strong>. E \u00e9 mesmo preciso ver o nosso Lar como uma entidade \u00e0 parte. Esta quinta personagem, que est\u00e1 ali no meio de todos e para a qual todos contribu\u00edmos com o que temos e de onde tiramos aquilo de que precisamos.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas se este lar n\u00e3o estiver com um m\u00ednimo de equil\u00edbrio, o que vou obter dele, quando precisar, tamb\u00e9m n\u00e3o vai ser equilibrado. Talvez se aplique aqui uma das regras universais: se cuidares, mais tarde vais ser cuidado. Este \u00e9, no final do dia, um equil\u00edbrio inquestion\u00e1vel. E em equil\u00edbrio, voc\u00eas j\u00e1 sabem, as coisas perduram.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas comecemos pelo in\u00edcio. O nosso lar, para se tornar num lugar que potencia todos os seres que por l\u00e1 habitam, tem de possuir algumas caracter\u00edsticas. N\u00e3o necessariamente as minhas, ou as dos meus vizinhos, mas as que cada um de n\u00f3s, adultos, escolher para o lar. E, como \u00e9 \u00f3bvio, o que cada filho vier trazer com a sua unicidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O lar antes dos filhos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 aqui falamos da import\u00e2ncia de o casal discutir os ingredientes que acham mais valiosos para se sentir um bom ambiente no lar. N\u00e3o podem ser muitos, eu diria num m\u00e1ximo de sete (isto n\u00e3o \u00e9 nada cient\u00edfico), mas o interesse desta regra vai desde ser ger\u00edvel, baixando os n\u00edveis de ansiedade, at\u00e9 \u00e0 escolha dos ingredientes&nbsp;<em>best-off<\/em>, que ambos trazem e que \u00e9 preciso escolher e concordar. N\u00e3o pensem que \u00e9 f\u00e1cil! Mas vale todo o tempo que dedicarem a esta discuss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Existem algumas dicas para vos guiar:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>V\u00e3o recuperar<\/strong>\u00a0o que trouxeram de bom, de casa dos vossos pais, e que o outro reconhece como positivo;<\/li>\n\n\n\n<li>Perguntem-se sobre o que trouxeram de casa dos vossos pais e que n\u00e3o \u00e9 assim t\u00e3o bom, ou porque o outro n\u00e3o gosta e n\u00e3o aprova. \u00c9 preciso algum trabalho para nos livrarmos destas coisas.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Coisas que admiram<\/strong>\u00a0e que tenham observado noutros lares, que visitaram ou ainda visitam;<\/li>\n\n\n\n<li>E comentem as coisas que viram e que n\u00e3o gostam. Serve apenas para solidificar as vossas opini\u00f5es.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>E, por \u00faltimo<\/strong>, ainda h\u00e1 espa\u00e7o para formularem novos ingredientes. Nem que seja inspirado no cinema ou nos livros.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Deixo-vos um exemplo, de que gosto muito: C\u00e1 em casa &#8220;ou estamos todos felizes ou ent\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o brinco&#8221;. A deixar esta ideia de que \u00e9 preciso solidariedade para quem, naquele momento, n\u00e3o est\u00e1 assim t\u00e3o bem. O \u00edmpeto n\u00e3o pode ser &#8220;continuar com a festa&#8221; e n\u00e3o dedicar tempo e energia a ajudar o elemento que se est\u00e1 a sentir mais em baixo, s\u00f3 porque agora &#8220;n\u00e3o nos d\u00e1 jeito&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Todo este trabalho nunca est\u00e1 terminado. A fam\u00edlia cresce. N\u00f3s crescemos. Todos os ajustamentos s\u00e3o bem-vindos e significam maturidade do casal e do Lar. At\u00e9 porque, os filhos trazem sempre qualquer coisa que nos enriquece a todos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O lar &#8220;est\u00e1 gr\u00e1vido&#8221; e\/ou com filhos at\u00e9 aos 5 anos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Esta \u00e9 a fase em que passamos a olhar para uma outra coisa, tamb\u00e9m muito importante: Garantir que o ambiente no nosso Lar est\u00e1 a cumprir com o que cada casal acha serem as cinco coisas que n\u00e3o podem faltar ao seu beb\u00e9 ou crian\u00e7a at\u00e9 aos 5 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Atr\u00e1s vimos o que o Lar deve ser como ninho que nos acolhe todos os dias. Mas agora, queremos fixar o que s\u00e3o as coisas que lhes queremos oferecer no dia a dia. Quase como a nossa f\u00f3rmula para uma educa\u00e7\u00e3o dos nossos filhos. Uma f\u00f3rmula que nos inclua e que inclua aquilo em que acreditamos. N\u00e3o vale a pena inventar uma f\u00f3rmula que nos diz pouco e que nunca ir\u00e1 aderir ao que os pais s\u00e3o. Vamos ser descobertos rapidamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Se olharmos a estas cinco coisas, e mais uma vez nada disto \u00e9 &#8220;muito&#8221; cient\u00edfico, vamos reparar que estaremos a cobrir cerca de 90% de tudo o que este beb\u00e9 precisa para ser saud\u00e1vel, feliz e apto para a vida. Esta tamb\u00e9m \u00e9 uma forma de deixarmos de andar mergulhados numa pesada ansiedade que nos paralisa.<\/p>\n\n\n\n<p>Pais em stress nunca s\u00e3o bons timoneiros. Os pais s\u00e3o os l\u00edderes deste lar. E como l\u00edderes t\u00eam de se antecipar no que \u00e9 mais importante. Sabemos que vamos falhar e todos j\u00e1 falh\u00e1mos, mas j\u00e1 gora, que se falhe naquilo que n\u00e3o tem assim tanta import\u00e2ncia. Por exemplo, eu considero fundamental que se&nbsp;<strong>converse com o beb\u00e9<\/strong>. Mesmo que se sinta que o retorno do beb\u00e9 est\u00e1 aqu\u00e9m das nossas expectativas, devemos insistir. Ele est\u00e1 mesmo a deliciar-se com a nossa provoca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Aceitemos que os nossos filhos s\u00e3o mesmo muito diferentes de todos os outros e por isso com tratamento especial. O que interessa \u00e9 como n\u00f3s os vemos e n\u00e3o como os outros os v\u00eaem.<\/p>\n\n\n\n<p>O fil\u00f3sofo Francisco Bosco, atrav\u00e9s do livro &#8220;Orpheu de Bicicleta&#8221;, disse &#8211; &#8220;existem 3 tipos de crian\u00e7as: Os meus filhos, os filhos dos meus amigos e as outras crian\u00e7as. E nesta espec\u00edfica ordem&#8221;. Quando algu\u00e9m diz que n\u00e3o gosta de crian\u00e7as e por isso \u00e9 melhor n\u00e3o ter filhos, est\u00e3o, na verdade, a pensar apenas nas 2\u00aa e 3\u00aa categorias de crian\u00e7as. Os nossos filhos n\u00e3o s\u00e3o crian\u00e7as. S\u00e3o apenas e t\u00e3o somente, os nossos filhos. E com os nossos filhos relacionamo-nos \u00e0 base de outras zonas do corpo. Isto \u00e9 ci\u00eancia que ainda n\u00e3o se explica l\u00e1 muito bem.<\/p>\n\n\n\n<p>Com estas 5 coisas asseguradas, n\u00e3o v\u00e3o falhar muito&#8221;. Acreditem!<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O lar em din\u00e2mica m\u00e1xima<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>E chegamos ao que interessa. Esta \u00e9 a formula\u00e7\u00e3o do vosso lar por muitos e bons anos. Eu diria, at\u00e9 ao momento em que o vosso \u00faltimo filho vos deixa. Ainda assim, como vai acontecer comigo, quando a \u00faltima das minhas filhas sair, os primeiros netos est\u00e3o a chegar. Nunca, verdadeiramente, vamos conseguir olhar para a nossa casa como uma paisagem que n\u00e3o os influenciou e que n\u00e3o ir\u00e1 influenciar os nossos netos.<\/p>\n\n\n\n<p>Quem n\u00e3o tem deliciosas mem\u00f3rias da casa dos nossos av\u00f3s? De tudo o que l\u00e1 se fazia e, principalmente, como se fazia.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das coisas que mais gosto no lar \u00e9 a forma como podemos simular tudo para a vida. Como a minha mentora (Joana Le\u00e3o) diz &#8220;A forma como fazemos uma coisa \u00e9 a forma como fazemos todas as outras.&#8221; Sejam atentos a tudo o que vos rodeia, tendo esta m\u00e1xima sempre \u00e0 m\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Sentir que estamos em equil\u00edbrio n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa de sentir que todos estamos em equil\u00edbrio. Lembrem-se: Eu, Eles e o Lar, devem cheirar a equil\u00edbrio. A quantidade dos nossos &#8220;Tenhos&#8221; n\u00e3o pode ser muito diferente da quantidade dos nossos &#8220;Queros&#8221;. Segundo Arthur Brooks, esta \u00e9 a equa\u00e7\u00e3o equilibrada perante a vida e os outros. \u00c9 important\u00edssimo que eu tenha a no\u00e7\u00e3o do que tenho e trago para o Lar, para assim, e s\u00f3 assim, saber at\u00e9 onde posso ir com o que quero que o outro tamb\u00e9m traga para o Lar. N\u00e3o tem de ser um equil\u00edbrio doentio, mas nenhuma rela\u00e7\u00e3o aguenta grandes desequil\u00edbrios por muito tempo. Os meus TENHOS demoram a construir e dependem da minha vontade. E todos somos capazes de conseguir mais desses tesouros que depois oferecemos ao Lar. Mas \u00e9 na gest\u00e3o da quantidade dos meus QUEROS que eu posso agir imediatamente. \u00c0s vezes esquecemo-nos de que vivemos de m\u00e3o estendida, sempre \u00e0 espera de receber.<\/p>\n\n\n\n<p>No passado, talvez nas rela\u00e7\u00f5es dos nossos pais e av\u00f3s, era poss\u00edvel manter rela\u00e7\u00f5es desequilibradas por muito tempo. Mas sempre \u00e0 custa de algu\u00e9m e a coberto de uma sociedade, tamb\u00e9m ela desequilibrada. E sempre que temos uma sociedade, comunidades e lares desequilibrados &#8220;produzimos&#8221; filhos a precisar de conserto. \u00c9 um legado demasiadamente pesado para os nossos filhos. Uma&nbsp;<strong>pegada parental<\/strong>&nbsp;que depois se torna dif\u00edcil de corrigir nas gera\u00e7\u00f5es seguintes.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00f3s, por instinto, sabemos que ningu\u00e9m fica por muito tempo, onde n\u00e3o \u00e9 feliz. Onde n\u00e3o \u00e9 reconhecido. Onde n\u00e3o \u00e9 mimado com o que o outro traz. Um Lar, \u00e9, provavelmente, a &#8220;arena&#8221; mais intimista, intimidadora e reveladora deste tipo de desequil\u00edbrio. E ningu\u00e9m conseguir\u00e1 fingir por muito tempo. Este \u00e9 um lugar para se levar muito a s\u00e9rio na constru\u00e7\u00e3o da nossa vida em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 felicidade.<\/p>\n\n\n\n<p>No pin\u00e1culo da maturidade de um lar, estamos a falar desta&nbsp;<strong>sensa\u00e7\u00e3o de que todos, mas todos, est\u00e3o a conseguir SER (naturalmente) ou a caminho de serem aquilo para o qual foram desenhados para Ser.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Aqui vai uma pergunta pr\u00e1tica e dif\u00edcil sobre o que estou a dizer:&nbsp;<strong>O que far\u00e1 uma crian\u00e7a feliz?<\/strong>&nbsp;Deixem a crian\u00e7a ser crian\u00e7a. Um Lar que impe\u00e7a uma crian\u00e7a de ser crian\u00e7a. Que por exemplo n\u00e3o lhe permita brincar um pouco todos os dias, tenho a certeza de que este Lar est\u00e1 doente. E vai, com toda a certeza, criar uma crian\u00e7a tamb\u00e9m ela doente.<\/p>\n\n\n\n<p>Claro que preferimos impor regras, porque \u00e9 assim que tamb\u00e9m controlamos tudo melhor e n\u00e3o nos sentimos perdidos. Porque \u00e9 assim que nos sentimos no controlo quando a vida acelera tantas vezes. Tantos dias.&nbsp;<strong>A liberdade assusta<\/strong>. Principalmente ao n\u00edvel da parentalidade. &#8220;Como assim, deix\u00e1-los ser o que quiserem ser?!&#8221; A&nbsp;<strong>nossa<\/strong>&nbsp;liberdade \u00e9 um direito, mas a liberdade dos&nbsp;<strong>outros<\/strong>&nbsp;tem de ser por eles conquistada.<\/p>\n\n\n\n<p>Um lar em liberdade s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel depois de o trabalho anterior, aqui mencionado, ter sido feito. S\u00f3 assim o nosso lar vai transpirar valores e princ\u00edpios, \u00fanicos &#8220;pol\u00edcias&#8221; da liberdade. E \u00e9 desta forma que se nota quando essa liberdade est\u00e1 a ser mal utilizada ou a colocar a liberdade dos outros em causa. \u00c9 com um lar equilibrado que os pais conseguem, de forma quase automatizada, sentir que \u00e9 justa aquela determinada decis\u00e3o que est\u00e3o a tomar.<\/p>\n\n\n\n<p>Saber estabelecer limites decorre de termos valores e n\u00e3o de uma lista qualquer que colocamos na porta do frigor\u00edfico.<\/p>\n\n\n\n<p>Todos, mas mesmo todos, queremos sentir que o nosso Lar est\u00e1 l\u00e1 para n\u00f3s. Constitui aquela rede que n\u00e3o nos deixa cair ainda mais fundo. Que nos conserta para voltarmos \u00e0 tona. Que nos diz, sem dizer uma s\u00f3 palavra, que pertencemos ali, \u00e0quela matilha. Que a vida faz sentido e vale a pena viver. Que nos diz, sem emitir um som, que ainda temos muita prazerosa vida pela frente. Um Lar em equil\u00edbrio e com os &#8220;cheiros&#8221; certos, \u00e9 fonte de esperan\u00e7a.&nbsp;<strong>E o que ser\u00e1 do Homem sem esperan\u00e7a<\/strong>?!<\/p>\n\n\n\n<p>Sejam atentos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Continuo, empolgado, na venda desta ideia de que existem quatro personagens no nosso Lar:&nbsp;Eu, N\u00f3s, Tu e Eles. Mas n\u00e3o nos podemos esquecer da Personagem que todos ajudamos a criar e que ganha a sua vida pr\u00f3pria. Uma personagem t\u00e3o independente como cada um de n\u00f3s. Essa&nbsp;Quinta Personagem \u00e9 o Lar. 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