{"id":133,"date":"2025-05-30T00:14:32","date_gmt":"2025-05-30T00:14:32","guid":{"rendered":"https:\/\/regressoacasa.pt\/?p=133"},"modified":"2025-12-23T00:23:28","modified_gmt":"2025-12-23T00:23:28","slug":"com-o-amor-ao-centro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/regressoacasa.pt\/?p=133","title":{"rendered":"Com o amor ao centro"},"content":{"rendered":"\n<p>Os meandros d`aquilo a que, de forma pequenina, chamamos de vida, est\u00e3o muito longe de serem conhecidos. Sabemos, s\u00f3 pela rama, o que a vida significa para n\u00f3s. Ser\u00e1 a vida um milagre ou um conjunto de mem\u00f3rias. Poucas pessoas viver\u00e3o de acordo com a no\u00e7\u00e3o de que a vida tamb\u00e9m \u00e9 um imenso conjunto de possibilidades. Quem \u00e9 que n\u00e3o fica de joelhos perante esta afirma\u00e7\u00e3o? A Vida cont\u00e9m em si a infinitude das possibilidades. E quando disse, ali atr\u00e1s, &#8220;pequenina&#8221;, n\u00e3o me referia \u00e0 Vida. Ou \u00e0 import\u00e2ncia da vida para n\u00f3s. Ou at\u00e9 mesmo, acerca da nossa rela\u00e7\u00e3o com a vida. Falo, isso sim, da compreens\u00e3o pequenina que temos da vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando precisamos de compreender uma coisa e lutamos que nem uns valentes para a entender, isso querer\u00e1 dizer, que ela, essa coisa, ainda est\u00e1 fora de n\u00f3s. E \u00e9 isso que \u00e9 grave. Dizer que um prato \u00e9 o barro mais a pintura que nele ficou, \u00e9 de uma pequenez atroz. E o que dizer da sua fun\u00e7\u00e3o? Do seu equil\u00edbrio como pe\u00e7a? E das mem\u00f3rias que recordamos de todas as vezes que, \u00e0 volta de uma mesa, com esse mesmo prato, partilh\u00e1mos momentos com as pessoas de quem mais gostamos?<\/p>\n\n\n\n<p>Aquele prato, novinho em folha, que agora podemos comprar, n\u00e3o \u00e9 o mesmo prato. E a forma como olhamos a vida, \u00e9 extremamente pessoal e personalizada. A Vida tem esse dom: De nos conceder a possibilidade de moldarmos a vida que quisermos. E com esse resultado em constante constru\u00e7\u00e3o, sermos vida. N\u00f3s somos vida. N\u00f3s somos a express\u00e3o art\u00edstica das infinitas possibilidades. N\u00f3s criamos vida com a exist\u00eancia que o universo providenciou. N\u00f3s somos a Vida.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Haver\u00e1 alguma coisa maior do que esta?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A vida, n\u00e3o se explica. E quem, &#8220;pequeninamente&#8221;, andar uma vida inteira \u00e0 procura da sua defini\u00e7\u00e3o vai passar ao lado da oportunidade de a viver em vez de a dissecar. \u00c9 como se, tendo l\u00e1bios e sabendo da sua exist\u00eancia nunca beijasse algu\u00e9m. O que dizer de uma pessoa que tendo pulm\u00f5es se recusa a respirar? Que tendo pernas se recusa a caminhar? Que tendo bra\u00e7os se recusa a abra\u00e7ar? \u00c9 um clich\u00e9 dizer que a vida \u00e9 para ser vivida. Eu prefiro sentir que a vida \u00e9 para ser desenhada. Aprimorada. Admirada. Exibida. A vida \u00e9 a nossa obra-prima. Porque na verdade, sinto-a como A minha obra de arte. E a prova de que \u00e9 t\u00e3o importante, \u00e9 que levamos uma vida inteira a constru\u00ed-la. A nossa vida \u00e9, provavelmente a \u00fanica obra de arte que fica acabada. Porque chegar\u00e1 o momento em que mais ningu\u00e9m lhe conseguir\u00e1 acrescentar ou melhorar o que quer que seja. Ficamos na mem\u00f3ria de quem fica, mas essas mem\u00f3rias j\u00e1 pertencem a todas essas outras vidas. A todas essas Obras de Arte que se cruzaram connosco.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro impulso a ter para conseguirmos criar vida, como ela quer ser criada, \u00e9 o amor. E a primeira conjuga\u00e7\u00e3o \u00e9:&nbsp;<strong>Amarmo-nos<\/strong>&nbsp;em tudo o que fazemos. Esse \u00e9, verdadeiramente, o ponto de partida. N\u00e3o existir\u00e1 outro\u2026 o que dizer de uma pessoa que podendo amar, prefere a&nbsp;<strong>indiferen\u00e7a<\/strong>. \u00c9 que odiar \u00e9 uma prima muito pr\u00f3xima de amar. N\u00e3o \u00e9, em bom rigor, o seu oposto. A indiferen\u00e7a \u00e9 mesmo o que nos torna em criaturas que escolhem ser a ant\u00edtese daquela para que foram desenhadas. O meu olhar sobre os humanos, e reconhecendo-nos como A esp\u00e9cie mais apetrechada, n\u00e3o pode deixar de ser de incompreens\u00e3o. \u00c9 a indiferen\u00e7a que nos leva a n\u00e3o amar o outro. A n\u00e3o amar nada. N\u00e3o \u00e9 o \u00f3dio que nos faz &#8220;n\u00e3o amar&#8221;. As guerras existem porque assentam numa indiferen\u00e7a massificada entre dois grupos de pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu n\u00e3o acredito que algu\u00e9m de perfeita consci\u00eancia com a sua natureza humana, consiga encontrar diferen\u00e7as substanciais entre duas pessoas e que a levem \u00e0 indiferen\u00e7a. \u00c0 indiferen\u00e7a acerca das necessidades do outro, que afinal s\u00e3o as mesmas. \u00c0 indiferen\u00e7a acerca das d\u00favidas do outro, que afinal s\u00e3o iguais \u00e0s nossas. \u00c0s suas t\u00e3o iguais lutas di\u00e1rias. Somos 100% iguais. Passem os mil\u00e9nios que passarem. S\u00e3o mais diferentes duas \u00e1rvores do que dois seres humanos e, no entanto, dizemos &#8220;\u00e1rvores&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o que ser\u00e1 isto de se&nbsp;<strong>colocar o amor ao centro<\/strong>? Para mim e por tudo o que foi j\u00e1 escrito, \u00e9 usar a oportunidade de viver a vida como ela quer ser vivida. Costumo perguntar, n\u00e3o sendo nada original, o que far\u00e1 uma crian\u00e7a feliz? E a resposta mais simples, apesar de carecer de afastar alguns enigmas \u00e9: Deixe-se a crian\u00e7a ser crian\u00e7a. Claramente enigm\u00e1tica porque atira-nos para um c\u00edrculo vicioso. Mas intelectualmente honesta porque exige de n\u00f3s que se busque as respostas \u00e0 pergunta: O que \u00e9 ser crian\u00e7a?<\/p>\n\n\n\n<p>Viva-se a vida como ela quer ser vivida. Mas como ser\u00e1 que a vida quer ser vivida? Pois! Eis a quest\u00e3o&#8230; Mas se at\u00e9 ao fim deste texto eu conseguir responder minimamente, ent\u00e3o desconfio que teremos de voltar a aprender a ser humanos. Se o conseguirmos fazer, estaremos em condi\u00e7\u00f5es de viver a \u00fanica vida que nos est\u00e1 destinada e faz\u00ea-lo da \u00fanica forma que nos enche de sentido a nossa exist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas de que servir\u00e1 saber viver a vida? Da mesma forma que Plat\u00e3o, com a alegoria da caverna, quis transmitir. Quanto menos soubermos e menos questionarmos a vida, mais andaremos contentinhos com uma vida aqu\u00e9m da vida. E parece que somos muito bons, como esp\u00e9cie, a faz\u00ea-lo. Vivemos em escassez de tudo, at\u00e9 de sentimentos, como se eles se gastassem na exata medida em que os demonstramos \u00e0s outras pessoas. E o amor, como Aquilo que \u00e9 o mais forte de entre tudo, fica na gaveta para uso futuro. Sempre para uso futuro. E \u00e9 assim que adiamos a nossa capacidade de criar vida.<\/p>\n\n\n\n<p>E como, &#8220;em caminho onde ningu\u00e9m passa cresce erva&#8221;, assim ficamos sem saber que precisamos de usar o amor em tudo o que fazemos. Quando n\u00e3o usamos uma parte de n\u00f3s, esquecemo-nos dela. Assumimos que n\u00e3o precisamos. Vamos estreitando e acabrunhando a imensid\u00e3o de possibilidades de que somos feitos e com o passar do tempo ficamos com pouca vida.&nbsp;<strong>Somos n\u00f3s que amputamos a vida em n\u00f3s<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>O amor, para sair do arm\u00e1rio e apanhar ar, gosta de intimidade e de proximidade. Gosta de saber que \u00e9 bem-vindo. Gosta de se reconhecer entre pares. Que quem o usa sabe do seu valor e poder. Se n\u00e3o for para transformar a nossa vida, o amor nem precisa de ser evocado. E o nosso lar, onde a nossa fam\u00edlia principal vive, \u00e9 o lugar mais importante de ensaio do uso do amor em tudo o que fazemos. L\u00e1 encontramos proximidade, \u00e0s vezes at\u00e9 em demasia, e intimidade. Sendo que eu gosto de definir a intimidade como a conversa entre duas pessoas sem que uma palavra seja dita. Este \u00e9 o lugar que se torna, ao longo dos anos, uma extens\u00e3o de n\u00f3s. Se assim n\u00e3o acontecer, \u00e9 porque est\u00e1 doente e \u00e9 urgente pensar na sua cura.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando tudo funciona como uma engrenagem, e nada tem a ver com &#8220;funcionar na perfei\u00e7\u00e3o&#8221;, ent\u00e3o estamos a criar vida. Estamos a deixar que o amor salte para o centro e fa\u00e7a a sua magia de providenciar energia, bem-estar, autoestima, sonhos, desejos e muito mais. Quando tomamos a decis\u00e3o de usar o amor sem medo que se acabe, num claro sentimento de abund\u00e2ncia, n\u00e3o s\u00f3 estamos a criar vida com qualidade, como ainda estamos a ajudar os que nos rodeiam a gerar vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Colocar o amor ao centro \u00e9 o mesmo que colocar um obst\u00e1culo no nosso caminho. Em todos os nossos caminhos. Um obst\u00e1culo bom. Aquele de que n\u00e3o fugimos, mas abra\u00e7amos. Integramos. Como naqueles jogos de consola, em que para apanhar uma moeda e somar pontos, temos de a atropelar. O Amor quer ser integrado na nossa vida. E a nossa vida, a nossa obra de arte, quer integrar o amor. Sabermos, por intui\u00e7\u00e3o, que para fazermos o que quer que seja, vamos ter de passar pelo amor. Como se fosse um banho de imers\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Estou a pensar ter um filho, mas antes, vou fazer um banho de imers\u00e3o de amor e s\u00f3 depois me permito compreender o que \u00e9 um filho. Vou ajudar um amigo, mas primeiro passo pelo obst\u00e1culo chamado de amor e percebo a forma como esse amigo precisa de ser ajudado. Sem o diminuir.<\/p>\n\n\n\n<p>Colocar o amor ao centro \u00e9 muito mais do que apenas um jogo de palavras. \u00c9 saber que somos paisagem uns dos outros e por isso assumirmos essa responsabilidade de sermos a nossa melhor vers\u00e3o para que geremos vida em n\u00f3s, mas tamb\u00e9m inspiremos os outros a gerar as suas vidas da forma mais solta, para que o universo de possibilidades esteja sempre activo.<\/p>\n\n\n\n<p>Colocar o amor ao centro, \u00e9 fazer perguntas ao cora\u00e7\u00e3o e depois viver conforme a sua resposta. Garanto-vos que falham muito menos.<\/p>\n\n\n\n<p>Sejam atentos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os meandros d`aquilo a que, de forma pequenina, chamamos de vida, est\u00e3o muito longe de serem conhecidos. Sabemos, s\u00f3 pela rama, o que a vida significa para n\u00f3s. Ser\u00e1 a vida um milagre ou um conjunto de mem\u00f3rias. Poucas pessoas viver\u00e3o de acordo com a no\u00e7\u00e3o de que a vida tamb\u00e9m \u00e9 um imenso conjunto&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-133","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-uncategorized"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/regressoacasa.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/133","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/regressoacasa.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/regressoacasa.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/regressoacasa.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/regressoacasa.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=133"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/regressoacasa.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/133\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":134,"href":"https:\/\/regressoacasa.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/133\/revisions\/134"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/regressoacasa.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=133"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/regressoacasa.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=133"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/regressoacasa.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=133"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}