{"id":135,"date":"2025-06-13T00:15:11","date_gmt":"2025-06-13T00:15:11","guid":{"rendered":"https:\/\/regressoacasa.pt\/?p=135"},"modified":"2025-12-23T00:23:16","modified_gmt":"2025-12-23T00:23:16","slug":"estar-disponivel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/regressoacasa.pt\/?p=135","title":{"rendered":"Estar dispon\u00edvel"},"content":{"rendered":"\n<p>Existem muitas coisas na vida sobre as quais apenas n\u00f3s sabemos. Mas existem muitas outras sobre as quais ainda andamos a descobrir. E depois, como se isto, s\u00f3 por si, n\u00e3o fosse j\u00e1 complicado, existe o olhar de todas as pessoas que se cruzam connosco sobre estas mesmas coisas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ter d\u00favidas sobre n\u00f3s pr\u00f3prios \u00e9 at\u00e9 uma coisa meio-que-para-o-saud\u00e1vel. Quer dizer que nos questionamos e que estamos, aparentemente, no bom caminho para nos tornarmos melhores pessoas. Eu disse aparentemente\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Mas quando estes nossos pensamentos explorat\u00f3rios se cruzam com uma opini\u00e3o sobre n\u00f3s, que at\u00e9 desconfiamos estar longe do que ser\u00e1 a nossa conclus\u00e3o, se nos derem mais &#8220;tempo de processamento&#8221;, ent\u00e3o ficamos muito vulner\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>Se n\u00e3o, vejamos. N\u00f3s temos acesso a informa\u00e7\u00e3o que mais ningu\u00e9m tem. Como queremos evoluir na boa dire\u00e7\u00e3o, colocamos d\u00favidas e andamos anos em processamento. E depois, vem algu\u00e9m de fora concluir sobre n\u00f3s, como que por magia, sem qualquer fundamento, a n\u00e3o ser um punhado de suposi\u00e7\u00f5es. E em vez de nos ajudar, tudo isto cheira a julgamento. E \u00e9 por isso que gosto de deixar as opini\u00f5es dos outros fora da minha zona alqu\u00edmica, onde todos os pensamentos se cruzam. &#8220;\u00c9 preciso matutar nas coisas&#8221;, j\u00e1 dizia o meu pai.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas esta escolha que fa\u00e7o acarreta ainda mais responsabilidade. \u00c9 que\u2026 se sou eu o \u00fanico guardi\u00e3o de toda esta informa\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o terei de trabalhar ainda mais para chegar \u00e0 tal vers\u00e3o que persigo.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das maiores \u00e1reas de julgamento \u00e9 a nossa&nbsp;<strong>disponibilidade<\/strong>&nbsp;perante os outros, perante o trabalho, perante a comunidade, perante o planeta, perante os pobres, fracos e oprimidos, entre outras. E&#8230; lembram-se?\u2026 a informa\u00e7\u00e3o \u00fanica de que dispomos pode ajudar-nos imenso nesta discuss\u00e3o interior. \u00c9 que, invariavelmente, a nossa falta de disponibilidade vai dar \u00e0 nossa falta de recursos: energia, tempo, paci\u00eancia, dinheiro, vontade, de entre outros. L\u00e1 est\u00e1, s\u00f3 n\u00f3s sabemos porque n\u00e3o nos tornamos dispon\u00edveis o suficiente para os outros.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu tenho esta teoria de que a nossa disponibilidade est\u00e1 intimamente relacionada com a&nbsp;<strong>aus\u00eancia<\/strong>. Com a aus\u00eancia\u2026 de uma agenda assoberbada. N\u00e3o me interpretem mal! O tamanho insuflado do nosso ego est\u00e1 diretamente relacionado com as milhentas coisas que temos apontadas na nossa agenda e que s\u00f3 em sonhos tencionamos cumprir. A nossa agenda parece uma rua em hora de ponta. Qualquer avaria num dos carros na fila de tr\u00e2nsito, pela manh\u00e3, significar\u00e1 o caos nas nossas vidas at\u00e9 ao final da semana. \u00c9 que aquela hora que perdemos e que nos fez chegar muito mais tarde ao trabalho, vai engui\u00e7ar, como pe\u00e7as de domin\u00f3, toda a nossa semana. N\u00e3o s\u00f3 no trabalho, como na vida pessoal e familiar.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 uma excelente jogada da nossa parte, colocarmos, espalhados na nossa agenda, compromissos sem nada para fazer ou, como prefiro, reuni\u00f5es com ningu\u00e9m. Reuni\u00f5es em que o assunto \u00e9 &#8220;a vida a acontecer&#8221;. Ou tarefas com o t\u00edtulo &#8220;Logo se v\u00ea&#8221;. Pelo menos consigo manter o meu ego num tamanho aceit\u00e1vel e sem ele perceber que quando olha para a agenda, com aquela mancha toda bem preenchida tem, afinal de contas, uns buracos de puro \u00f3cio. \u00c9 a absoluta urg\u00eancia de nos convergirmos para a vida no presente. Uma verdadeira habilidade que todos podemos treinar. Uma habilidade que gostar\u00edamos de dominar, e que \u00e9 transversalmente importante em qualquer fase da nossa vida.<\/p>\n\n\n\n<p>E \u00e9 quando penso no melhor timing da nossa vida para treinar uma habilidade como esta, penso naquela fase em que j\u00e1 &#8220;estamos gr\u00e1vidos&#8221;. Nesse momento sabemos que \u00e9 imprescind\u00edvel treinarmos a arte de aus\u00eancia tempor\u00e1ria de agenda. Porque \u00e9 nesta fase que se torna absolutamente urgente, para que estejamos prontos para quando o beb\u00e9 nascer. E n\u00f3s, grosso modo, somos muito bons a lidar com as urg\u00eancias da nossa vida. Quando j\u00e1 n\u00e3o podemos adiar mais, cerramos os punhos e levamos tudo \u00e0 frente. N\u00e3o ser\u00e1 assim? Este \u00e9 o momento. Depois disso, com filhos nascidos e a vida a acelerar tanto, torna-se mais dif\u00edcil (mas n\u00e3o imposs\u00edvel) de parar, de abrandar e de treinar esta habilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas \u00e9 essencialmente porque n\u00e3o treinamos esta habilidade para se estar dispon\u00edvel, que eu considero que somos todos mentirosos at\u00e9 prova em contr\u00e1rio. Estamos sempre, por delicadeza, a oferecer a nossa ajuda. A nossa disponibilidade. A nossa aten\u00e7\u00e3o. Mas sabemos, bem l\u00e1 no fundo, que n\u00e3o estamos dispon\u00edveis para cumprir nem um d\u00e9cimo das nossas promessas\u2026 e, mais grave, passamos a considerar isto normal!<\/p>\n\n\n\n<p>Eu at\u00e9 diria que parece ser uma atitude que nos fica bem e que quebra o gelo em muitas das nossas ocasi\u00f5es na vida. Ser prest\u00e1vel. Estar dispon\u00edvel. Mostrarmos que estamos sens\u00edveis \u00e0s necessidades do outro. Um quase c\u00e9u quando prometemos um at\u00e9 j\u00e1. Ou quando dizemos que temos de combinar um jantar, todos juntos, l\u00e1 em casa. Ou at\u00e9 mesmo, quando oferecemos a nossa ajuda, para aquela mudan\u00e7a de casa que est\u00e1 a acontecer \u00e0quele nosso grande amigo. Fica bem, mas sabemos que somos o impostor. Se metade de todas estas ofertas fossem aceites, n\u00e3o far\u00edamos outra coisa que n\u00e3o cumprir promessas, que, agora, se virariam contra n\u00f3s. Nos tomaria a nossa agenda de assalto.<\/p>\n\n\n\n<p>No limite, e para aqueles que t\u00eam esta doen\u00e7a \u2013 a&nbsp;<strong>s\u00edndrome da prometice<\/strong>, ficariam sem tempo para trabalhar e ganhar o seu sustento. Mas ent\u00e3o por que raz\u00e3o fazemos isto constantemente e com uma frequ\u00eancia que at\u00e9 assusta os profissionais da promessa? H\u00e1 uma brincadeira que gosto de fazer quando me oferecem ajuda\u2026 aceito-a logo. E fa\u00e7o tudo para conciliar as agendas para que n\u00e3o se torne imposs\u00edvel. Isto \u00e9 pura matem\u00e1tica: n\u00e3o deixo que a interce\u00e7\u00e3o de duas agendas d\u00ea um conjunto vazio. Testo de uma forma infal\u00edvel a honestidade da oferta. \u00c9 que n\u00e3o gosto que ganhem o c\u00e9u \u00e0s minhas custas e por isso, \u00e9 ver os meus amigos a evocarem logo a Santa Agenda e se nos demoramos mais do que 5 minutos, esse amigo j\u00e1 s\u00f3 nos consegue ajudar l\u00e1 para agosto, quando a mudan\u00e7a \u00e9 em maio e temos de abandonar a casa actual no final do m\u00eas, porque j\u00e1 est\u00e1 vendida.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Rir \u00e9 muito bom entre amigos e \u00e9 isso, de facto, a \u00fanica coisa que aproveito destas conversas.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Mas se estes simulacros de meninos bem-comportados n\u00e3o t\u00eam mal algum, evoco aqui os perigos desta pr\u00e1tica se tornar um maneirismo ou, pior, de se tornar um tra\u00e7o de personalidade, que pais mant\u00eam na rela\u00e7\u00e3o com os seus filhos.<\/p>\n\n\n\n<p>Estarmos perante os nossos filhos a assumir compromissos \u00e9 de facto um outro n\u00edvel neste pequeno grande jogo. Se entre amigos a coisa passa com alguma leveza, os nossos filhos s\u00e3o profissionais de n\u00e3o deixar passar assuntos por entre as pingas da chuva. E para al\u00e9m de cobrarem, acabam por fazer uma outra coisa a seguir: deixam de falar sobre isso. E \u00e9 neste ponto de viragem que deixamos de ter os \u00fanicos consultores que se preocupavam em nos ajudar a sermos melhores pais. Quando eles j\u00e1 nem se chateiam em nos chamar a aten\u00e7\u00e3o, atingimos o ponto de n\u00e3o retorno.<\/p>\n\n\n\n<p>E nunca nos podemos esquecer de que a forma como fazemos uma coisa \u00e9 a forma como fazemos todas as outras. Por isso\u2026 vamos parar, e pensar em como nos podemos educar, para nos tornarmos realmente dispon\u00edveis para os nossos filhos. A parentalidade n\u00e3o \u00e9 uma promessa que se quebre de \u00e2nimo leve \u00e0 espera que n\u00e3o resulte em cacos. E os nossos filhos s\u00e3o os \u00fanicos a perder com este nosso maneirismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Estar dispon\u00edvel para os outros, e neste caso, para os nossos filhos, n\u00e3o exige muita coisa al\u00e9m da nossa pr\u00f3pria disciplina. Tudo s\u00e3o escolhas. E neste caso, \u00e9 querer escolher de entre as m\u00faltiplas coisas que fazemos, aquelas que deixamos cair. Para mim, quando nasceu a minha primeira filha, senti a urg\u00eancia de optar e, como \u00e9 \u00f3bvio, decidir que coisas passava a n\u00e3o fazer para ganhar os tais buracos em que nada acontecia. E n\u00e3o estou a falar dos &#8220;buracos de tempo&#8221; para poder mudar fraldas, dar banhos, ir ao m\u00e9dico\u2026 nada disso. Estou a falar dos buracos vazios na agenda para que estivesse dispon\u00edvel para o que as minhas filhas, aqui e ali, solicitassem de extra\u2026 por exemplo, acudir a um ar zangado. Uma tristeza a precisar de tempo e proximidade da minha parte. Enfim\u2026. o que \u00e9, afinal, a vida ela pr\u00f3pria.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por isso, a primeira coisa a fazer \u00e9 criar buracos. Deixar cair algumas coisas que j\u00e1 n\u00e3o nos acrescentam nada.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Mas estarmos verdadeiramente dispon\u00edveis, n\u00e3o versa apenas sobre quantidade de tempo. Do nosso tempo, claro! Dispor do tempo dos outros \u00e9 muito deselegante e, no seio da fam\u00edlia, n\u00e3o aconselho mesmo nada. Diria que n\u00e3o tem futuro. Estarmos dispon\u00edveis versa muito mais sobre a qualidade dessa nossa disponibilidade. E por isso, aponto aqui&nbsp;<strong>tr\u00eas ingredientes<\/strong>&nbsp;muito importantes que ter\u00e3o de estar presentes, para que possamos, perante o nosso lar, oferecer verdadeira disponibilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro ingrediente \u00e9 estar&nbsp;<strong>dispon\u00edvel fisicamente<\/strong>. Estamos a caminhar a passos largos para acharmos que uma videochamada \u00e9 a mesma coisa que uma conversa \u00e0 mesa. Que uma mensagem escrita \u00e9 a mesma coisa que uma conversa que oferece o calor da nossa voz. Que um poema no dia do anivers\u00e1rio \u00e9 a mesma coisa que uma s\u00e9rie de abra\u00e7os quentes e apertados. E tamb\u00e9m lamento desiludir os adultos que pensam resolver as suas aus\u00eancias com a contrata\u00e7\u00e3o de pessoas que os substituem: ora l\u00e1 em casa com bab\u00e1s, ora em passeios depois da escola ou despejados em ATL`s e afins, mascarados de lugares de aprendizagem, s\u00f3 porque fingimos que n\u00e3o sabemos a mat\u00e9ria que eles est\u00e3o a dar.<\/p>\n\n\n\n<p>Estar presente fisicamente ajuda a calibrar uma m\u00e3o cheia de sistemas biol\u00f3gicos nos nossos filhos. N\u00e3o inventemos que eles precisam de aprender mil e uma coisas para poderem melhor enfrentar a vida. Eles s\u00e3o uma vers\u00e3o mais bem apetrechada do que n\u00f3s e por isso, mais bem-adaptados \u00e0 vida moderna. Se eles estiverem bem, equilibrados, connosco por perto, nada mais precisam para resolver os desafios que a vida lhes prop\u00f5e. Se olharmos \u00e0 habilidade de &#8220;<strong>saber pensar<\/strong>&#8221; como uma das mais importantes para a sua vida, chegamos rapidamente \u00e0 conclus\u00e3o de que n\u00e3o existem outras pessoas e outro cen\u00e1rio mais adequado para os fazer crescer nessa habilidade do que o nosso Lar. Do que a nossa presen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Estar presente fisicamente tamb\u00e9m implica a qualidade com que estamos presentes. Estar com eles a viver o presente. A viver o momento. Estar de mente ausente apesar do corpo, \u00e9 das piores coisinhas que podemos oferecer aos nossos filhos. Costumo dizer que o teste mais doloroso para uma mente ausente \u00e9 entrar numa brincadeira inventada por eles. Sem muitos adere\u00e7os, brincar ao faz de conta com eles n\u00e3o permite que a nossa cabe\u00e7a e cora\u00e7\u00e3o estejam ausentes. N\u00e3o os conseguimos enganar. Eles notam tudo, \u00f3 se notam! E o nosso filho sente-se a brincar sozinho. N\u00e3o se sente visto naquele momento, e, com o tempo, vai preferir estar sozinho nas suas brincadeiras. Como se brincar sozinho fosse um sinal de bem-comportado ou de autonomia. Um pouco dos dois cen\u00e1rios, j\u00e1 agora!<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 sabem\u2026&nbsp;<strong>estar f\u00edsica e mentalmente presente.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O outro&nbsp;<strong>ingrediente \u00e9 o tempo.<\/strong>&nbsp;Mas ter tempo para os outros e, principalmente para os nossos filhos, n\u00e3o se resume ao tempo de que dispomos quando somos solicitados pelos nossos filhos. Esse \u00e9 o&nbsp;<strong>tempo robot<\/strong>. Recebemos uma instru\u00e7\u00e3o e executamos, porque tentamos ser boas pessoas. N\u00e3! Tamb\u00e9m \u00e9 importante que exista e que eles sintam que estamos l\u00e1 para eles sempre que precisam. Mas esta n\u00e3o pode ser a base da rela\u00e7\u00e3o com eles. Se queremos que eles se sintam importantes na nossa vida, temos de usar outro tipo de tempo. Um tempo que se consome por dedica\u00e7\u00e3o, e que at\u00e9 acontece, muitas das vezes, na sua aus\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Chegar a casa e dizer: &#8220;vamos andar de bicicleta&#8221;, porque j\u00e1 remendei o furo. Ou, convidar para ir &#8220;jogar futebol&#8221; porque sa\u00ed de prop\u00f3sito mais cedo do trabalho para que esse tempo a dois pudesse acontecer. Os nossos filhos percebem muito bem o tempo que n\u00f3s consumimos, nas suas aus\u00eancias, e que permitiu que agora pudesse existir aquele momento de qualidade. Percebem, sem sombra de d\u00favida, que aquele tempo gasto \u00e9 uma esp\u00e9cie de dedicat\u00f3ria de amor. E quem n\u00e3o gosta de as receber?<\/p>\n\n\n\n<p>Qual a diferen\u00e7a entre uma prenda comprada e entregue e uma prenda comprada e embrulhada por n\u00f3s, com um postal cheio de palavras bonitas? Tempo. A prenda que foi pensada e trabalhada para ser entregue com algum ritual carrega um tempo que \u00e9 oferecido aos nossos filhos. E este tipo de tempo, apesar de n\u00e3o ter sido vivido a dois, transborda de amor. Tempo \u00e9 amor. Sabermos que algu\u00e9m perdeu tempo a pensar em n\u00f3s, \u00e9 amor. Perder tempo a fazer aquela sopa de que eles gostam, \u00e9 amor. A sopa comprada no supermercado n\u00e3o tem esse amor. Gosto de o apelidar de &#8220;<strong>Tempo \u00fanico<\/strong>&#8220;. Tem a nossa marca e eles sabem disso.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 sabem\u2026<strong>&nbsp;ter tempo de qualidade para eles.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O outro ingrediente que tamb\u00e9m me \u00e9 muito caro \u00e9 a&nbsp;<strong>energia<\/strong>. N\u00e3o podemos pensar em termos da nossa disponibilidade sem pensarmos na exist\u00eancia ou n\u00e3o de energia. Termos desculpas constantes acerca do quanto eu queria ajudar-te, n\u00e3o fosse estar muito cansado, n\u00e3o nos compromete com a tal disponibilidade que andamos sempre a oferecer.<\/p>\n\n\n\n<p>Temos de contar que os nossos filhos t\u00eam, tendencialmente, muito mais energia do que n\u00f3s. At\u00e9 porque muita da nossa energia vem de nos sentirmos bem. E os nossos filhos, por aus\u00eancia de muitos dos nossos problemas, vivem num estado de alegria muito mais elevado do que n\u00f3s. Se ao chegarmos a casa j\u00e1 estamos de rastos, que folga teremos para acompanhar um pedido de brincadeira? Nenhuma! E a nossa desculpa, invariavelmente, cai na j\u00e1 gasta frase: &#8220;estou muito cansado filho, brincamos amanh\u00e3&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Todos sabemos que n\u00e3o vai acontecer. Que amanh\u00e3 a nossa resposta vai ser a mesma. Porque cansado \u00e9 o nosso estado natural, dia ap\u00f3s dia. E se esse \u00e9 o caso da maior parte de n\u00f3s, ent\u00e3o \u00e9 urgente rever a nossa rela\u00e7\u00e3o com o trabalho. Porque \u00e9 essa rela\u00e7\u00e3o com o trabalho que est\u00e1 a minar a rela\u00e7\u00e3o com os nossos filhos. E se n\u00e3o estamos bem, mas insistimos em ficar, \u00e9 porque j\u00e1 s\u00f3 l\u00e1 estamos por dinheiro. E o dinheiro \u00e9 igual neste ou naquele trabalho. Tratem imediatamente de um plano B. Demore o tempo que demorar, o plano B, por esta altura, j\u00e1 tem de estar em marcha.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou ent\u00e3o adoramos o que fazemos, mas o trabalho \u00e9 mesmo muito e ficamos de rastos. Negoceiem com o chefe para reequilibrar as coisas, contratar mais pessoas. Ou ent\u00e3o \u00e9 muito exigente face \u00e0s nossas capacidades. Pe\u00e7am forma\u00e7\u00e3o adicional ou a compra daquela m\u00e1quina que vos vais ajudar a despachar o trabalho dentro do hor\u00e1rio normal. Ainda assim, em ambos os casos, e poder\u00e3o existir mais nuances, \u00e9 preciso colocar em cima da mesa a hip\u00f3tese de mudar de trabalho caso a necess\u00e1ria e pedida mudan\u00e7a n\u00e3o aconte\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Chegarmos a casa com energia \u00e9 mesmo muito importante. De manh\u00e3, temos energia, mas n\u00e3o temos tempo. Tudo \u00e9 feito a correr e \u00e9 preciso irmos todos para os nossos s\u00edtios sem chegarmos atrasados. Ao fim do dia, temos de ter energia para que o fecho do dia aconte\u00e7a da melhor maneira. Para que se fa\u00e7am algumas coisas com qualidade e rela\u00e7\u00e3o humana. Que se pare para nos apreciarmos uns aos outros. Para nos conhecermos melhor.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 sabem\u2026&nbsp;<strong>ter energia de reserva.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Viver em fam\u00edlia, num Lar, n\u00e3o \u00e9 condi\u00e7\u00e3o suficiente para que nos conhe\u00e7amos bem a todos e para que a vida saiba bem. \u00c9 preciso escolher estar em&nbsp;<strong>disponibilidade<\/strong>&nbsp;e com a qualidade que todos j\u00e1 desconfiamos que deva ter.<\/p>\n\n\n\n<p>Sejam atentos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Existem muitas coisas na vida sobre as quais apenas n\u00f3s sabemos. Mas existem muitas outras sobre as quais ainda andamos a descobrir. E depois, como se isto, s\u00f3 por si, n\u00e3o fosse j\u00e1 complicado, existe o olhar de todas as pessoas que se cruzam connosco sobre estas mesmas coisas. Ter d\u00favidas sobre n\u00f3s pr\u00f3prios \u00e9&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-135","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-uncategorized"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/regressoacasa.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/135","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/regressoacasa.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/regressoacasa.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/regressoacasa.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/regressoacasa.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=135"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/regressoacasa.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/135\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":136,"href":"https:\/\/regressoacasa.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/135\/revisions\/136"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/regressoacasa.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=135"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/regressoacasa.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=135"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/regressoacasa.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=135"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}