{"id":145,"date":"2025-10-24T00:18:57","date_gmt":"2025-10-24T00:18:57","guid":{"rendered":"https:\/\/regressoacasa.pt\/?p=145"},"modified":"2025-12-23T00:21:34","modified_gmt":"2025-12-23T00:21:34","slug":"o-sistema-da-familia-no-lar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/regressoacasa.pt\/?p=145","title":{"rendered":"O sistema da Fam\u00edlia no Lar"},"content":{"rendered":"\n<p>Gosto muito de tentar perceber de onde venho. N\u00e3o \u00e9 que me preocupe a possibilidade de n\u00e3o ser filho do meu pai ou da minha m\u00e3e. Ou que tenha sido adotado ou at\u00e9 mesmo, que seja proveniente de um outro planeta. N\u00e3o, nada disso. N\u00e3o vivo qualquer ansiedade em rela\u00e7\u00e3o a essas poss\u00edveis perguntas. Mas a inquieta\u00e7\u00e3o de querer sempre saber mais inquieta-me.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m tenho a perfeita no\u00e7\u00e3o de que j\u00e1 fui profundamente biol\u00f3gico. Bio mecanicista, com um olhar que investia demasiado tempo nas altera\u00e7\u00f5es corporais, em estar atento ao que sentia fisicamente, ou at\u00e9, preocupado a questionar o meu g\u00e9nero de lideran\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o ao corpo. Tamb\u00e9m perdia alguma energia a definir algumas estrat\u00e9gias e algumas t\u00e1cticas em rela\u00e7\u00e3o ao futuro do meu corpo.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais tarde, descobri que essa excessiva presen\u00e7a do meu corpo, na minha vida, era uma planeada distra\u00e7\u00e3o desenhada por algu\u00e9m, sabe Deus quem! E tornou-se \u00f3bvio que andava a adiar as respostas \u00e0quela sempre presente pergunta sobre a origem de determinadas facetas da minha personalidade. Por que raz\u00e3o um ou outro valor era t\u00e3o importante para mim. Por que raz\u00e3o este ou aquele princ\u00edpio n\u00e3o eram negoci\u00e1veis. De onde vinham alguns tra\u00e7os t\u00e3o vincados e que eram bem vis\u00edveis aos que me rodeavam?<\/p>\n\n\n\n<p>Frequentemente sentia-me elogiado ou criticado sobre coisas que pareciam n\u00e3o ser minhas. Ou, que, no melhor dos cen\u00e1rios, nunca sabia como \u00e9 que foram c\u00e1 parar. E, talvez por isso, n\u00e3o conseguia aceitar as cr\u00edticas ou os elogios, por achar que n\u00e3o eram meus, que n\u00e3o tinha feito nada para os possuir\u2026 uma vers\u00e3o clara de: &#8220;inocente!&#8221; Ou ent\u00e3o, e esta sempre me trouxe muitos problemas, a pessoa que me dirigia tais coment\u00e1rios estava a ver mal. N\u00e3o me conhecia de todo. A deseleg\u00e2ncia da distra\u00e7\u00e3o para comigo e isso, n\u00e3o deixava de ser uma ferida: &#8220;n\u00e3o estava a ser visto&#8221;. E quem \u00e9 que n\u00e3o quer ser visto e bem visto por aqueles com que se cruza?<\/p>\n\n\n\n<p>O fasc\u00ednio mant\u00e9m-se, cada vez maior, em questionar-me sobre o papel da nossa ancestralidade na vida presente. Sim, s\u00f3 esta vida \u00e9 que conta. Se nos vamos preocupar com a influ\u00eancia do nosso passado no nosso futuro, o nosso presente fica \u00f3rf\u00e3o de aten\u00e7\u00e3o e cuidados e isso, pode jogar-nos para um sentimento de desnorte. A exist\u00eancia de vida na Terra concede a forte prova de que \u00e9 no presente que tudo acontece. No passado e no futuro, ainda n\u00e3o se descobriu, que eu saiba, sinais de vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Sendo isto verdade, como explicar a presen\u00e7a da ancestralidade em n\u00f3s?! Sabemos que dentro de 100 anos, todos os seres humanos adultos, que na altura habitar\u00e3o o Planeta ser\u00e3o outros. Nem um dos que hoje respiram. Nenhum de n\u00f3s estar\u00e1 l\u00e1, num desses momentos em que mais uma vez a humanidade ir\u00e1 fazer a contagem. Provavelmente seremos o dobro dos oito bili\u00f5es que agora contamos. Mas se nos renovamos vezes sem conta, como \u00e9 poss\u00edvel os mortos influenciarem-nos?! Ser\u00e1 isso a prova de haver vida depois da morte? E se nos influenciam, como parece ser o caso, quem \u00e9 que est\u00e1 mais vivo\u2026 os que respiram ou os que j\u00e1 n\u00e3o respiram, mas influenciam as nossas vidas?<\/p>\n\n\n\n<p>A explica\u00e7\u00e3o parece n\u00e3o ser t\u00e3o assustadora ou a precisar de muita cren\u00e7a ou f\u00e9, e, isso sim, baseada mais na ci\u00eancia. Quando vivemos no seio da nossa fam\u00edlia nuclear, no nosso lar, crescemos com a influ\u00eancia das v\u00e1rias paisagens humanas que nos rodeiam. E o lar \u00e9, com grande dist\u00e2ncia das restantes, a paisagem que mais impacto tem em n\u00f3s e no desenho daquilo que vamos sendo a caminho da idade adulta. Depois, sa\u00edmos e fundamos com outra pessoa ou n\u00e3o, o nosso pr\u00f3prio lar \u2013 \u00e9 o momento &#8220;agora \u00e9 a minha vez&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois temos os nossos filhos e eles crescem e fundam o seu pr\u00f3prio lar. Chegou o momento deles. E por a\u00ed fora. Num entrela\u00e7ado de intera\u00e7\u00f5es humanas espa\u00e7otemporais que explicam o interc\u00e2mbio de conhecimento e legado entre seres humanos. Todos, mas todos, deixamos nos outros e levamos dos outros. Somos mesmo paisagem uns dos outros. E essa vida que partilhamos, no decorrer dessa mesma janela temporal, \u00e9 que nos permite, de forma inexor\u00e1vel, deixar a nossa pegada de influ\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Quem escreve e investiga sobre estes temas, afirma claramente de que existe uma influ\u00eancia de cinco gera\u00e7\u00f5es ou at\u00e9 mais. Ou seja, eu sou, numa parte consider\u00e1vel, influenciado por aquilo que os meus antepassados foram. Em geral, terei muito mais dos meus pais do que dos meus av\u00f3s e assim sucessivamente. Em algumas caracter\u00edsticas espec\u00edficas, at\u00e9 porque passaram sempre de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o, parece que somos uma repeti\u00e7\u00e3o dos nossos tetrav\u00f3s. Sem tirar nem p\u00f4r, assim se conta na fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>E este cont\u00e1gio geracional, que pode ser pela positiva ou pela negativa, \u00e9 a indiscut\u00edvel prova de influ\u00eancia dos nossos antepassados familiares em n\u00f3s. Mas cuidado! O primeiro e urgente passo \u00e9 sabermos lidar com essa heran\u00e7a e n\u00e3o aceitarmos apenas aquilo de que nos orgulhamos. Porque quando essa ancestralidade nos brinda com algo apontado como menos positivo, descartamos as culpas para os mortos, ou at\u00e9, para os nossos pais e av\u00f3s ainda vivos. E isso \u00e9 iniciar o caminho da ferida. De vivermos em nega\u00e7\u00e3o. De o somatizarmos no corpo.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o me querendo alongar muito nesta fase, mas culpar, nunca ser\u00e1 um caminho positivo e facilitador do crescimento do nosso bem-estar, ou, mais simplesmente, de altera\u00e7\u00e3o e erradica\u00e7\u00e3o dessa forma de estar. Assumirmos que esta ou aquela caracter\u00edstica foi-nos plantada e que agora, \u00e9 a n\u00f3s que nos cabe mudar. Vejamos\u2026 somos os mais fortes e mais aptos a aceitar este desafio. Provavelmente os nossos pais j\u00e1 est\u00e3o velhotes e os nossos filhos ainda n\u00e3o ter\u00e3o todas as ferramentas para o conseguir fazer. \u00c9 preciso arrega\u00e7ar as mangas. Querer seguir em frente. Querer fazer melhor. Para ent\u00e3o iniciar a jornada de perceber o que n\u00e3o queremos em n\u00f3s para podermos deixar para tr\u00e1s o que j\u00e1 n\u00e3o nos serve.<\/p>\n\n\n\n<p>Ok, j\u00e1 sabemos que temos de aceitar, que n\u00e3o herdamos apenas dinheiro, bens ou mem\u00f3rias. Herdamos tamb\u00e9m educa\u00e7\u00e3o. E n\u00e3o estou a falar daquela mais formal e que devemos tamb\u00e9m agradecer a oportunidade e investimento que os nossos pais fizeram em n\u00f3s. Estou mais a falar da educa\u00e7\u00e3o informal. Aquela a que estamos expostos a maior parte do tempo, em ambiente familiar. E essa, meus amigos, entra em n\u00f3s sem bater \u00e0 porta. Consumimo-la a toda a hora sem que tenhamos disso consci\u00eancia. Afinal, os nossos pais s\u00e3o os nossos primeiros&nbsp;<em>influencers<\/em>!<\/p>\n\n\n\n<p>A minha gera\u00e7\u00e3o, por exemplo, \u00e9 filha de uma gera\u00e7\u00e3o que fez pouca terapia ou desenvolvimento pessoal. Teremos em n\u00f3s, por sinal, muito mais pormenores que demonstram a presen\u00e7a dessa pegada geracional. E quando n\u00e3o estamos despertos para detetar aquilo que nos anda a atrasar para nos tornarmos melhores vers\u00f5es de n\u00f3s pr\u00f3prios, ent\u00e3o o &#8220;caldo est\u00e1 mesmo entornado&#8221;. Agora pensem: A educa\u00e7\u00e3o e a conviv\u00eancia no nosso lar j\u00e1 s\u00e3o t\u00e3o desafiantes, como \u00e9 que ainda temos de contar com o que trazemos, via antepassados, para dentro das din\u00e2micas do nosso dia-a-dia?! O melhor conselho \u00e9 aceitar, fazer introspec\u00e7\u00e3o e corrigir. Acham que \u00e9 f\u00e1cil? Vamos subir de n\u00edvel\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Num casal, temos a ancestralidade dos dois ramos a lutarem por protagonismo. A minha e a da minha mulher (pessoas que nem conheci). E aqui \u00e9 importante ambos refletirem sobre o que v\u00eaem um no outro, e que foi herdado, e com o qual n\u00e3o convivem bem. Ou com o qual n\u00e3o se sentem confort\u00e1veis por influenciar a educa\u00e7\u00e3o dos filhos. Percebermos, o mais depressa poss\u00edvel, que o nosso lar est\u00e1 inserido neste sistema familiar, n\u00e3o s\u00f3 aquele que partilha o presente connosco, mas tamb\u00e9m aquele outro que existiu continuamente ao longo de uma linha temporal mais vasta. Esse passado rico em acontecimentos que desconhecemos na sua maioria.<\/p>\n\n\n\n<p>Angariar for\u00e7as para nos munirmos da convic\u00e7\u00e3o de que o nosso Lar vive no presente com muitas influ\u00eancias do passado. E, principalmente, reconhecermos que temos de fazer alguma coisa. Assumirmos a responsabilidade para mudar. Sabermos no fundo, que se n\u00e3o formos n\u00f3s a mudar e a erradicar o que n\u00e3o queremos para n\u00f3s, isso vai continuar a perpetuar-se nos nossos filhos. Temos a for\u00e7a para quebrar essa corrente de pegadas geracionais e evitarmos passar isso para os nossos filhos. Afinal, n\u00e3o ser\u00e3o eles a nossa mais bela cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Que satisfa\u00e7\u00e3o maior haver\u00e1 do que a de conseguirmos erradicar uma determinada caracter\u00edstica, que tem andado a assolar gera\u00e7\u00e3o ap\u00f3s gera\u00e7\u00e3o, e que n\u00e3o vai, com a nossa ac\u00e7\u00e3o, passar para os nossos filhos? Quebrando um ciclo, n\u00e3o passando, em definitivo, para os nossos netos e bisnetos.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitas das vezes queremos causar impacto positivo nas suas vidas atrav\u00e9s da promo\u00e7\u00e3o de variadas iniciativas: Pagamos educa\u00e7\u00e3o adicional. Patrocinamos eventos. Sugerimos actividades. Mas nunca nos lembramos de come\u00e7ar por limpar estas heran\u00e7as que tanto atrapalham e que, de forma muito subliminar, nos impedem de viver em bem-estar. Em alegria e, acima de tudo, com a convic\u00e7\u00e3o dos que procuram a felicidade sabendo que, provavelmente, nunca a ir\u00e3o encontrar. Mas se um dia for melhor do que o outro, essa conquista j\u00e1 \u00e9 um estado moment\u00e2neo de felicidade. Sermos felizes \u00e9 dif\u00edcil, mas sentirmo-nos felizes j\u00e1 \u00e9 bem poss\u00edvel de alcan\u00e7ar.<\/p>\n\n\n\n<p>O tema da felicidade \u00e9 sempre dif\u00edcil de discutir, explicar ou at\u00e9 mesmo de aceitar. Mas pe\u00e7o aqui ajuda \u00e0 SABEDORIA: Poderei nunca chegar a S\u00e1bio, mas o simples facto de saber cada vez mais coisas bastar-me-\u00e1 para que me sinta bem, alegre e interessado na vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Sejam atentos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gosto muito de tentar perceber de onde venho. N\u00e3o \u00e9 que me preocupe a possibilidade de n\u00e3o ser filho do meu pai ou da minha m\u00e3e. Ou que tenha sido adotado ou at\u00e9 mesmo, que seja proveniente de um outro planeta. N\u00e3o, nada disso. N\u00e3o vivo qualquer ansiedade em rela\u00e7\u00e3o a essas poss\u00edveis perguntas. 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