{"id":149,"date":"2025-12-12T00:20:25","date_gmt":"2025-12-12T00:20:25","guid":{"rendered":"https:\/\/regressoacasa.pt\/?p=149"},"modified":"2025-12-23T00:21:03","modified_gmt":"2025-12-23T00:21:03","slug":"um-lar-de-abundancia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/regressoacasa.pt\/?p=149","title":{"rendered":"Um Lar de abund\u00e2ncia."},"content":{"rendered":"\n<p>A imagem de um caldeir\u00e3o e de estarmos todos a ser cozinhados, \u00e9 uma met\u00e1fora da vida, mas, quando apresentada assim, nua e crua, acabamos por n\u00e3o nos sentirmos em sintonia ou a aceitar a ideia. Mexe com muita coisa dentro de n\u00f3s, de lugares desconhecidos, e atira-nos para zonas de desconforto cuja fuga precipitamos.<\/p>\n\n\n\n<p>Se h\u00e1 algo que posso defender como universal neste reino animal-humano, \u00e9 o de que todos parecemos naturalmente convergir para o bem-estar. Far\u00e1 parte do nosso&nbsp;<strong>sistema homeost\u00e1tico.<\/strong>&nbsp;Fazemos de tudo para nos reequilibrarmos \u00e0 volta do bem-estar. Do nosso, claro! Pelo menos em primeiro lugar, e esse \u00e9 o lugar mais justo ao longo do nosso tempo. Depois vem o amor, em sentido amplo, e tamb\u00e9m queremos o bem-estar daqueles que pertencem ao nosso alargado abra\u00e7o dos afetos.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas voltando ao caldeir\u00e3o\u2026 a imagem de passarmos por todo aquele calor e de um certo e estranho cozinheiro trazer ingredientes, que n\u00e3o pedimos, para dentro do caldo, rebenta com o nosso sentido de bem-estar. Acresce ainda, que o cozinheiro est\u00e1 a preparar um grande banquete, e n\u00e3o apenas um &#8220;jantareco&#8221; de sexta-feira \u00e0 noite. E por isso, vai juntando pessoas, umas atr\u00e1s das outras, que desconhecemos e com as quais nem sempre nos damos bem. Mas parece que nada podemos fazer para que o spa pretendido pare de crescer. E l\u00e1 vem mais gente que n\u00e3o pedimos e mais ingredientes aos quais at\u00e9 somos al\u00e9rgicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Apresento-vos a Vida, tal e qual como ela teima em se apresentar. Se gostamos de tudo? N\u00e3o. Se podemos fazer alguma coisa para a tornar mais confort\u00e1vel? Sim. Uma coisa vos digo\u2026 na sua g\u00e9nese, a vida foi desenhada para ser saborosa. T\u00e3o saborosa quanto maiores foram os desafios. Pois que parece que \u00e9 a caminho de os resolver que nos executamos na plenitude. Que nos tornamos perfeitos a dan\u00e7ar com ela. Com a vida claro! Agora, j\u00e1 n\u00e3o estava a falar da colher de pau do cozinheiro, apesar de eu, em crian\u00e7a, ter dan\u00e7ado muitas vezes \u00e0 frente de uma!<\/p>\n\n\n\n<p>E \u00e9 nesta tend\u00eancia para convergirmos para o nosso bem-estar, que verifico que andamos todos, uns melhores do que outros, mergulhados nesse processo. E se andamos &#8220;todos ao mesmo&#8221;, essa actividade comum s\u00f3 pode recolher o nosso respeito e empatia. Mas ainda assim, podemos n\u00e3o concordar, n\u00e3o aceitar ou simplesmente repudiar, algumas escolhas dos que nos est\u00e3o \u00e0 volta. \u00c9 que, quando algu\u00e9m retira do nosso bem-estar para acrescentar ao seu, viola uma regra fundamental do universo: Este \u00e9 abundante e n\u00e3o escasso.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu acredito piamente de que existe sempre uma forma de&nbsp;<strong>tornar a escassez em abund\u00e2ncia<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o querendo falar muito do flagelo que \u00e9 a privatiza\u00e7\u00e3o da raz\u00e3o. O flagelo de vivermos no Planeta Eu, onde habita a nossa opini\u00e3o, que se transforma na nossa raz\u00e3o e na raz\u00e3o que todos os outros deveriam seguir, por ser uma verdade universal. Prefiro seguir a linha da necessidade de sermos humildes sobre a nossa &#8220;verdade&#8221;. Que defendamos a forma de querermos viver, desta ou daquela maneira, apenas por ser aquela que nos faz acordar todos os dias em bem-estar. Por ser aquela nossa f\u00f3rmula que nos mant\u00e9m em bem-estar. N\u00e3o ganhamos rigorosamente nada em dizer que a nossa f\u00f3rmula \u00e9 a que est\u00e1 certa e que a dos outros, n\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste caso, j\u00e1 n\u00e3o considero que exista aquela universalidade de que falava, quando olhamos a f\u00f3rmula que cada um utiliza para se sentir bem no caminho e em busca de ser cada vez mais feliz. Neste sentido, s\u00f3 estaremos errados se quisermos roubar o bem-estar do outro. Se vivermos numa no\u00e7\u00e3o de que tudo \u00e9 escasso, ent\u00e3o vamos estar a inferir com o bem-estar do outro. Com o caminho do outro, que n\u00e3o \u00e9 nem mais certo nem mais errado do que o nosso.<\/p>\n\n\n\n<p>A g\u00e9nese do nosso bem-estar est\u00e1 ligada ao nosso prop\u00f3sito de vida. O que para uns \u00e9 retirar-se em sil\u00eancio num mosteiro do Tibete, para outros, \u00e9 ter doze filhos \u00e0 volta de uma mesa grande a cada dia que passa. Para uns, o simples e demorado sil\u00eancio poder\u00e1 tornar-se num ambiente aterrador. Para outros, o frenesim de uma casa cheia de barulhos e movimentos, pode ser o princ\u00edpio de uma doen\u00e7a mental. Nada est\u00e1 errado.&nbsp;<strong>Tudo s\u00e3o arranjos vibracionais de acordo com a nossa constitui\u00e7\u00e3o f\u00edsica, psicol\u00f3gica e espiritual<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando estamos a falar do Lar, aquela fam\u00edlia nuclear que vive debaixo do mesmo tecto, os cuidados a ter nas nossas escolhas dever\u00e3o ser maiores. Mais sentidos. Mais naturais. No Lar de cada um, estamos constantemente a fazer escolhas que n\u00e3o nos servem apenas a n\u00f3s. O desafio para se atingir uma solu\u00e7\u00e3o consensual \u00e9 enorme, mas poss\u00edvel. Acreditar que \u00e9 poss\u00edvel j\u00e1 \u00e9 deixar de lado um cem n\u00famero de barreiras que poder\u00e3o prejudicar todos l\u00e1 mais \u00e0 frente.<\/p>\n\n\n\n<p>Por exemplo: Num casal, um diz que s\u00f3 quer ter um filho e outro insiste para terem cinco filhos. Partindo do princ\u00edpio de que ambos est\u00e3o a ser verdadeiros com o seu bem-estar, aquele que &#8220;perder&#8221; este bra\u00e7o de ferro, cujo resultado, aparentemente, n\u00e3o vai ser consensual, vai estar o resto da vida em esfor\u00e7o. N\u00e3o vai estar a viver projectando a sua melhor vers\u00e3o. Vai constituir-se num exemplo de vida aqu\u00e9m do seu potencial e a viver um pouco ao lado das suas aspira\u00e7\u00f5es. O que poderia ser um excelente exemplo parental com apenas um filho, poder\u00e1 tornar-se num &#8220;desastre&#8221; com cinco. N\u00f3s apenas conseguiremos ser a nossa melhor vers\u00e3o se e s\u00f3 se, estivermos em bem-estar.<\/p>\n\n\n\n<p>A escolha natural e consensual, sem condicionamentos externos, como os da religi\u00e3o ou ancestrais, de um casal para ter, por exemplo, doze filhos, \u00e9, por natureza, dado tudo o que foi falado anteriormente, um acontecimento perfeito\u2026 para aquele Lar. E a concretiza\u00e7\u00e3o, com desenvoltura, dos desafios di\u00e1rios, n\u00e3o constituem chancela de super-seres-humanos. N\u00e3o constituem prova de nada sobre as suas maiores capacidades em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s de outros. E esse ex\u00edmio desempenho em condi\u00e7\u00f5es adversas, nada diz sobre as suas capacidades em rela\u00e7\u00e3o a outras condicionantes da vida.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o, exemplo disso mesmo, os relatos de vida de algumas das mentes mais brilhantes na hist\u00f3ria da humanidade, que ter\u00e3o sido, ao mesmo tempo, uns p\u00e9ssimos exemplos em \u00e1reas t\u00e3o simples e aparentemente t\u00e3o naturais: &#8220;de como ser um bom Pai&#8221;. Foram, incondicionalmente uma b\u00ean\u00e7\u00e3o para a evolu\u00e7\u00e3o da nossa esp\u00e9cie, para o planeta ou para a Humanidade, mas no que tocou \u00e0 gest\u00e3o dos relacionamentos de proximidade, foram um desastre completo.&nbsp;<strong>Viver em esfor\u00e7o parece ser, aparentemente, aquilo que nos rouba a mestria com que fazemos as coisas<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Numa coisa eu concordo. Existe uma enorme import\u00e2ncia no cumprimento daquele que ser\u00e1 um dos maiores chamamentos biol\u00f3gicos: o de criarmos uma fam\u00edlia, lan\u00e7ando para a vida seres que ir\u00e3o, por sua vez, criar os seus pr\u00f3prios lares. Seres, que no melhor das nossas habilidades e inten\u00e7\u00f5es, se constituir\u00e3o tamb\u00e9m eles em seres de bel\u00edssimo exemplo para a vida e para as paisagens com que se v\u00e3o cruzar. Tudo estar\u00e1 certo e perfeito pelo simples facto de estarmos a fazer O caminho que escolhemos.<\/p>\n\n\n\n<p>Nem sempre estaremos no nosso melhor. Nem sempre veremos com clareza o caminho \u00e0 nossa frente. \u00c0s vezes vamos parar na berma da estrada para refletirmos sobre as nossas emo\u00e7\u00f5es, convic\u00e7\u00f5es e valores.&nbsp;<strong>Duvidar, \u00e9 um acto de equil\u00edbrio<\/strong>. Parar para duvidar exerce o mesmo efeito que o dormir no ritmo circadiano. Duvidar de vez em quando \u00e9 escutar aquele ser que nos vai c\u00e1 dentro. Duvidar torna-nos mais assertivos quando voltamos a arrancar para a vida. D\u00e1-nos a for\u00e7a de um acordar depois do descanso. Duvidar \u00e9 a fase de um processo que nos permite ter certezas.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando erradicamos a d\u00favida da nossa f\u00f3rmula, porque consideramos duvidar uma insuport\u00e1vel vulnerabilidade, \u00e9 quando mais erramos nas nossas escolhas.&nbsp;<strong>Tudo s\u00e3o escolhas e tudo s\u00e3o relacionamentos<\/strong>. Relacionamo-nos com o passado, com o dinheiro, connosco pr\u00f3prios, com o futuro, com os outros, entre infinitas outras. E \u00e9 nas escolhas que fazemos em cada um destes relacionamentos que nos definimos e definimos a qualidade com que vivemos o pr\u00f3ximo trecho da nossa hist\u00f3ria. Afinal, o efeito borboleta, cunhado a primeira vez pelo meteorologista Edward Lorenz nos anos 1960, veio aromatizar a filosofia moderna, e tornar claro, que as escolhas que fazemos hoje impactam, em primeiro lugar, na vida que ainda est\u00e1 para chegar.<\/p>\n\n\n\n<p>Se aceitarmos, que s\u00f3 nos executamos na perfei\u00e7\u00e3o aquando no meio dos outros seres humanos, este efeito borboleta, que em primeiro lugar, nos diz respeito a n\u00f3s e ao nosso futuro, ter\u00e1 tamb\u00e9m efeitos enormes em todos os que nos rodeiam. S\u00f3 aceitando que somos paisagem uns dos outros \u00e9 que faremos reais esfor\u00e7os para sermos a nossa melhor vers\u00e3o. Ningu\u00e9m \u00e9 moralmente responsabiliz\u00e1vel, ao ponto do insuport\u00e1vel, se estiver genuinamente a tentar atingir a sua melhor vers\u00e3o como pessoa.<\/p>\n\n\n\n<p>E num Lar de catorze pessoas, o constante apelo da vida para sermos a nossa melhor vers\u00e3o \u00e9 gigante. \u00c9 assoberbante. \u00c9 esmagador\u2026 mas tamb\u00e9m ser\u00e1 gratificante. Expansivo. Maravilhoso. Compensador. \u00c9 talvez uma das mais transversais escolhas que podemos fazer e que estar\u00e1 na g\u00e9nese de todas as outras: Optar (escolha) como verdade, que a Vida nos oferece, sempre, duas faces do que quer que seja a sua proposta. V\u00eam agarradas, n\u00e3o h\u00e1 nada a fazer. Para saborearmos uma, vamos ter de viver a outra. Mas h\u00e1 sempre algo que podemos fazer (livre-arb\u00edtrio) para que tendencialmente vivamos mais uma do que a outra face.<\/p>\n\n\n\n<p>Seremos sempre uns eternos aprendizes. Teremos sempre o outro a n\u00e3o nos dar o reconhecimento. Mas estar\u00e1 tamb\u00e9m tudo bem, se nos mantivermos dentro do nosso bem-estar sem roubar o bem-estar do outro.<\/p>\n\n\n\n<p>Sejam atentos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A imagem de um caldeir\u00e3o e de estarmos todos a ser cozinhados, \u00e9 uma met\u00e1fora da vida, mas, quando apresentada assim, nua e crua, acabamos por n\u00e3o nos sentirmos em sintonia ou a aceitar a ideia. Mexe com muita coisa dentro de n\u00f3s, de lugares desconhecidos, e atira-nos para zonas de desconforto cuja fuga precipitamos&#8230;.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-149","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-uncategorized"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/regressoacasa.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/149","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/regressoacasa.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/regressoacasa.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/regressoacasa.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/regressoacasa.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=149"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/regressoacasa.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/149\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":150,"href":"https:\/\/regressoacasa.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/149\/revisions\/150"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/regressoacasa.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=149"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/regressoacasa.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=149"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/regressoacasa.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=149"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}