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Atenção é Amor.

Posted on Fevereiro 20, 2026Fevereiro 23, 2026 by Rui Melo
Lembro-me, em determinada fase da minha vida, que a minha maior ansiedade era a de poder estar distraído em relação àquilo para onde deveria estar a olhar… só que não. Que coisas deveria estar a considerar mudar, melhorar, mas cuja atenção não se demorava o tempo suficiente.

Comecei a perceber perfeitamente que isto era algo bastante importante para mim. E comecei a colecionar muitas, demasiadas, exclamações em relação às minhas descobertas: “ah á! Então era isto que estava errado.” Ou ainda “como é que eu não percebi isto antes!”. Numa clara desilusão em relação às hipotéticas e anónimas pessoas que tivessem estado, este tempo todo, a planear enganar-me e… tinham conseguido. Eram, claro, tudo coisas que eram importantes para mim e para os meus. Para o nosso crescimento como unidade familiar, o Lar.
Sei que a minha preocupação se agudizou, quando estava a ser pai pela primeira vez. Aquela angústia de sentir que aquilo em que eu acreditasse e seguisse, tinha de alguma maneira impacto nas minhas filhas. Seres que eu deveria de proteger. E por isso, foi uma altura de extrema atenção. De cometer, ainda assim muitos erros. Muitas das ratoeiras da sociedade em que vivemos (e que nos são propostas), guiam-se por valores economicistas ou outros, que nada têm a ver com o equilíbrio das pessoas e das famílias.

Felizmente, poucas das minhas opções, que se revelaram incorretas, tiveram um grande impacto nas suas vidas. Mas fez-me querer manter uma atenção redobrada no presente. Naquilo que aqui e agora faria maior sentido para o seu bem-estar. E isso trouxe-me alguma paz, porque aprendi a ser mais assertivo. A questionar as reais motivações do que me era proposto. A tentar, vestido de detective, encontrar de entre as várias referências, aquelas que mais sentido me faziam.

Na verdade, a vida empurrava-me para ver as pulgas, a coleira o rabo e as patas do cão, mas impedia-me de ver o cão todo. De conseguir percepcionar a sua raça. O seu mood. A sua dinâmica meiga para com o seu dono. A sua peculiaridade de animal de estimação. Treinar a atenção para ver a floresta quando a sociedade está mais interessada em direcionar-nos apenas para aquela árvore específica. Isso é o que fundamentalmente nos faz sentir perdidos. Ficamos contentes por descobrir que vamos em determinada direção, para logo a seguir desconfiarmos que, afinal de contas, não é o sentido que mais nos convém. Aquela que nos faria mais sentido seguir. E sentimo-nos enganados. Sentimos um elevado desconforto por notarmos que andámos a viver sem nos questionámos o suficiente. Uma agenda que não era a nossa e que poderá tornar-se perigosa lá à frente, no futuro Presente.

Treinar a atenção para o todo e para o que interessa agora, foi, hoje sei, um treino extraordinariamente importante para estar a cem por cento com as minhas filhas. Olhando-as e escutando-as em dedicação e atenção plena, fez com que errasse menos. Aos olhos dos outros talvez tenha cometido ainda mais erros do que aqueles que apontei. Talvez! Mas com hiperatenção, sentia sempre o que elas precisavam verdadeiramente. Quase que por obra de uma qualquer intuição (sabedoria interior respeitada) eu conseguisse navegar por entre ruídos, correrias, críticas, dúvidas (muitas das vezes minhas) numa direção que eu sabia ser aquela que melhor servia as minhas filhas e o seu bem-estar.

As grandes tochas são fáceis de seguir. E o amor, na sua definição é uma delas. O amor é, sem sombra de dúvida, a coisa mais poderosa à face da Terra. Ele, o amor, resolve tudo. Embebido em amor, considerando todas as coisas (como o nosso amor próprio, claro), qualquer coisa que se faça irá com toda a certeza estar mais perto da verdade que melhor nos serve, do que as alternativas disponíveis. Com amor, lato sensu, a vida connosco e com os outros tende a ultrapassar todo e qualquer obstáculo. Tende a ajudar a redefinir o que de menos bom nos acontece. Tende a ajudar a compreender o que os outros nos trazem de diferente e que estranhamos e ao qual reagimos, nem sempre da melhor maneira.

Mas é urgente perceber onde andarão todas as outras formas de amar. Existe um livro, que recomendo, que fala d`”As 5 linguagens do amor”, de Gary Chapman. Apesar do que aqui falo não estar espelhado neste livro, não deixa de ser interessante perceber, que devemos entendê-las para que a nossa percepção de estarmos a receber ou não amor, fique mais assertiva. Que as colecionemos a todas, para que não se desperdice essa energia do amor. Detetar as expressões e manifestações do amor, é um caminho de entendimento entre as pessoas. Gosto muito de pensar de que um gesto vale mesmo mais do que umas quantas palavras. E de que temos de aprender a detectar os gestos que nos são direcionados. De os aceitar, porque nos foram dados, como nossos. De mostrar gratidão. Por exemplo, no caso do amor romântico… uma pessoa que me ame, mas à qual eu não correspondo com o mesmo sentimento, tem de ter da minha parte toda a consideração. Já é tão raro amarem-nos, que a única atitude que posso ter para honrar o movimento desse outro coração, é mesmo a elegância de o acolher, sem rodeios e de verbalizar a gratidão, informando, de que não é correspondido.

Aprender a detectar as manifestações de amor e passá-las aos nossos filhos, é das melhores práticas de parentalidade de que me lembro. Quando eles aprendem a detectar essas manifestações, a educação torna-se muito mais fácil. Até os castigos… o simples facto de amuarmos (como pais) ou retirarmos aquele ritual de carinho por um dia, os nossos filhos entendem logo o castigo. E o castigo é tão somente a ausência temporária de manifestação desse amor. Não é necessário, na maior parte dos casos, partir-se para castigos severo-formais-longos. As crianças sabem que brincar com as outras é por convite. Ninguém obriga ninguém a querer brincar. Pode resultar uma vez, mas da próxima vez, não vão querer brincar connosco. Querer brincar a segunda vez, e a terceira e por aí fora, é um gesto de amor. A seguir, vem a amizade.

Mas o que me interessa neste texto é convencer-vos de que a Atenção que lhes dedicamos por períodos mais ou menos pequenos, é amor. É igual a amor. Eu até diria que a atenção é o “braço armado” do amor. Por vezes, por considerarmos o amor um conceito (que também o é) muito teórico ou até esotérico, a Atenção é uma das mais importantes práticas de amor. Gosto desta frase: A atenção é o amor na prática. Muitas das vezes tropeçamos na expressão “sou católico não praticante”. Independentemente da discussão que isto possa desde já gerar, eu compreendo que os Pais, na sua esmagadora maioria, amam os seus filhos. Mas isso não alimenta ninguém… muito menos eles! Quando mantemos a relação que temos com os nossos filhos debaixo desse grande chapéu que é o amor, arriscamos esquecer de o executar. E eles precisam, desde muito cedo, vê-lo e abraçá-lo na prática. Temos de ser praticantes do amor. Ninguém gosta de receber apenas amor platónico.

O amor não deixa de ser um conceito e que muitas das vezes usamos para nos desculparmos, quando os filhos nos puxam as orelhas por ausência (a nossa, claro): “tu sabes que a mãe te ama, não sabes?” Mas o que os desespera, é que esse conceito quando não é acompanhado por manifestações práticas, tende a escorrer por entre os dedos. Tende a esvanecer-se. Tende para o esquecimento. Tende, a pior de todas as consequências, a não ser integrado na cavalgada do crescimento.

Escutar, é um dos vassalos da Atenção. Tempo sim, mas de qualidade. Escutar é guardar o que recebemos para mais tarde colocar nas conversas com eles. Quando nos lembramos de um pormenor recebido, seja ou não segredo, seja ou não uma coisa só entre nós os dois, e o libertamos bem “entremeado” numa conversa futura, reparem como eles se iluminam. Confirmam, sem sombra de dúvida, que são tidos em conta. Que são vistos, não interessa a idade. Que podem continuar a entregar-nos coisas que nunca será em vão a sua aposta. Muitos Pais queixam-se de que os filhos já não os consideram seus confidentes. Na verdade, podem acontecer duas coisas, de per si ou ao mesmo tempo: Com a idade, menos coisas são partilhadas, ou, que se cansaram de nos contar por perceberem que “caem sempre em saco roto”.

Usarmos da atenção para nos relacionarmos com os nossos filhos é gravar, sem sobra de dúvida, que os amamos sem que alguma vez tenhamos de o dizer para “compor o ramalhete”. Claro que é bom dizer e ouvir. Mas a atenção, assim como os gestos, falam sempre mais alto. É que os nossos filhos são péssimos a ouvir e óptimos a imitar.

Deixar que o amor seja uma prática corrente, sem grandes explicações. Simplesmente com entrega.

Sejam atentos.

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Autor

Rui Melo
Escritor

Sou um produtor de pensamentos muito atento. Sei que a família e o Lar ocupam um lugar muito especial no crescimentos de qualquer pessoa, mas em especial, na formação das crianças.

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