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Um Lar de abundância.

Posted on Dezembro 12, 2025Dezembro 23, 2025 by Rui Melo

A imagem de um caldeirão e de estarmos todos a ser cozinhados, é uma metáfora da vida, mas, quando apresentada assim, nua e crua, acabamos por não nos sentirmos em sintonia ou a aceitar a ideia. Mexe com muita coisa dentro de nós, de lugares desconhecidos, e atira-nos para zonas de desconforto cuja fuga precipitamos.

Se há algo que posso defender como universal neste reino animal-humano, é o de que todos parecemos naturalmente convergir para o bem-estar. Fará parte do nosso sistema homeostático. Fazemos de tudo para nos reequilibrarmos à volta do bem-estar. Do nosso, claro! Pelo menos em primeiro lugar, e esse é o lugar mais justo ao longo do nosso tempo. Depois vem o amor, em sentido amplo, e também queremos o bem-estar daqueles que pertencem ao nosso alargado abraço dos afetos.

Mas voltando ao caldeirão… a imagem de passarmos por todo aquele calor e de um certo e estranho cozinheiro trazer ingredientes, que não pedimos, para dentro do caldo, rebenta com o nosso sentido de bem-estar. Acresce ainda, que o cozinheiro está a preparar um grande banquete, e não apenas um “jantareco” de sexta-feira à noite. E por isso, vai juntando pessoas, umas atrás das outras, que desconhecemos e com as quais nem sempre nos damos bem. Mas parece que nada podemos fazer para que o spa pretendido pare de crescer. E lá vem mais gente que não pedimos e mais ingredientes aos quais até somos alérgicos.

Apresento-vos a Vida, tal e qual como ela teima em se apresentar. Se gostamos de tudo? Não. Se podemos fazer alguma coisa para a tornar mais confortável? Sim. Uma coisa vos digo… na sua génese, a vida foi desenhada para ser saborosa. Tão saborosa quanto maiores foram os desafios. Pois que parece que é a caminho de os resolver que nos executamos na plenitude. Que nos tornamos perfeitos a dançar com ela. Com a vida claro! Agora, já não estava a falar da colher de pau do cozinheiro, apesar de eu, em criança, ter dançado muitas vezes à frente de uma!

E é nesta tendência para convergirmos para o nosso bem-estar, que verifico que andamos todos, uns melhores do que outros, mergulhados nesse processo. E se andamos “todos ao mesmo”, essa actividade comum só pode recolher o nosso respeito e empatia. Mas ainda assim, podemos não concordar, não aceitar ou simplesmente repudiar, algumas escolhas dos que nos estão à volta. É que, quando alguém retira do nosso bem-estar para acrescentar ao seu, viola uma regra fundamental do universo: Este é abundante e não escasso.

Eu acredito piamente de que existe sempre uma forma de tornar a escassez em abundância.

—————————————-

Não querendo falar muito do flagelo que é a privatização da razão. O flagelo de vivermos no Planeta Eu, onde habita a nossa opinião, que se transforma na nossa razão e na razão que todos os outros deveriam seguir, por ser uma verdade universal. Prefiro seguir a linha da necessidade de sermos humildes sobre a nossa “verdade”. Que defendamos a forma de querermos viver, desta ou daquela maneira, apenas por ser aquela que nos faz acordar todos os dias em bem-estar. Por ser aquela nossa fórmula que nos mantém em bem-estar. Não ganhamos rigorosamente nada em dizer que a nossa fórmula é a que está certa e que a dos outros, não.

Neste caso, já não considero que exista aquela universalidade de que falava, quando olhamos a fórmula que cada um utiliza para se sentir bem no caminho e em busca de ser cada vez mais feliz. Neste sentido, só estaremos errados se quisermos roubar o bem-estar do outro. Se vivermos numa noção de que tudo é escasso, então vamos estar a inferir com o bem-estar do outro. Com o caminho do outro, que não é nem mais certo nem mais errado do que o nosso.

A génese do nosso bem-estar está ligada ao nosso propósito de vida. O que para uns é retirar-se em silêncio num mosteiro do Tibete, para outros, é ter doze filhos à volta de uma mesa grande a cada dia que passa. Para uns, o simples e demorado silêncio poderá tornar-se num ambiente aterrador. Para outros, o frenesim de uma casa cheia de barulhos e movimentos, pode ser o princípio de uma doença mental. Nada está errado. Tudo são arranjos vibracionais de acordo com a nossa constituição física, psicológica e espiritual.

Quando estamos a falar do Lar, aquela família nuclear que vive debaixo do mesmo tecto, os cuidados a ter nas nossas escolhas deverão ser maiores. Mais sentidos. Mais naturais. No Lar de cada um, estamos constantemente a fazer escolhas que não nos servem apenas a nós. O desafio para se atingir uma solução consensual é enorme, mas possível. Acreditar que é possível já é deixar de lado um cem número de barreiras que poderão prejudicar todos lá mais à frente.

Por exemplo: Num casal, um diz que só quer ter um filho e outro insiste para terem cinco filhos. Partindo do princípio de que ambos estão a ser verdadeiros com o seu bem-estar, aquele que “perder” este braço de ferro, cujo resultado, aparentemente, não vai ser consensual, vai estar o resto da vida em esforço. Não vai estar a viver projectando a sua melhor versão. Vai constituir-se num exemplo de vida aquém do seu potencial e a viver um pouco ao lado das suas aspirações. O que poderia ser um excelente exemplo parental com apenas um filho, poderá tornar-se num “desastre” com cinco. Nós apenas conseguiremos ser a nossa melhor versão se e só se, estivermos em bem-estar.

A escolha natural e consensual, sem condicionamentos externos, como os da religião ou ancestrais, de um casal para ter, por exemplo, doze filhos, é, por natureza, dado tudo o que foi falado anteriormente, um acontecimento perfeito… para aquele Lar. E a concretização, com desenvoltura, dos desafios diários, não constituem chancela de super-seres-humanos. Não constituem prova de nada sobre as suas maiores capacidades em relação às de outros. E esse exímio desempenho em condições adversas, nada diz sobre as suas capacidades em relação a outras condicionantes da vida.

São, exemplo disso mesmo, os relatos de vida de algumas das mentes mais brilhantes na história da humanidade, que terão sido, ao mesmo tempo, uns péssimos exemplos em áreas tão simples e aparentemente tão naturais: “de como ser um bom Pai”. Foram, incondicionalmente uma bênção para a evolução da nossa espécie, para o planeta ou para a Humanidade, mas no que tocou à gestão dos relacionamentos de proximidade, foram um desastre completo. Viver em esforço parece ser, aparentemente, aquilo que nos rouba a mestria com que fazemos as coisas.

Numa coisa eu concordo. Existe uma enorme importância no cumprimento daquele que será um dos maiores chamamentos biológicos: o de criarmos uma família, lançando para a vida seres que irão, por sua vez, criar os seus próprios lares. Seres, que no melhor das nossas habilidades e intenções, se constituirão também eles em seres de belíssimo exemplo para a vida e para as paisagens com que se vão cruzar. Tudo estará certo e perfeito pelo simples facto de estarmos a fazer O caminho que escolhemos.

Nem sempre estaremos no nosso melhor. Nem sempre veremos com clareza o caminho à nossa frente. Às vezes vamos parar na berma da estrada para refletirmos sobre as nossas emoções, convicções e valores. Duvidar, é um acto de equilíbrio. Parar para duvidar exerce o mesmo efeito que o dormir no ritmo circadiano. Duvidar de vez em quando é escutar aquele ser que nos vai cá dentro. Duvidar torna-nos mais assertivos quando voltamos a arrancar para a vida. Dá-nos a força de um acordar depois do descanso. Duvidar é a fase de um processo que nos permite ter certezas.

Quando erradicamos a dúvida da nossa fórmula, porque consideramos duvidar uma insuportável vulnerabilidade, é quando mais erramos nas nossas escolhas. Tudo são escolhas e tudo são relacionamentos. Relacionamo-nos com o passado, com o dinheiro, connosco próprios, com o futuro, com os outros, entre infinitas outras. E é nas escolhas que fazemos em cada um destes relacionamentos que nos definimos e definimos a qualidade com que vivemos o próximo trecho da nossa história. Afinal, o efeito borboleta, cunhado a primeira vez pelo meteorologista Edward Lorenz nos anos 1960, veio aromatizar a filosofia moderna, e tornar claro, que as escolhas que fazemos hoje impactam, em primeiro lugar, na vida que ainda está para chegar.

Se aceitarmos, que só nos executamos na perfeição aquando no meio dos outros seres humanos, este efeito borboleta, que em primeiro lugar, nos diz respeito a nós e ao nosso futuro, terá também efeitos enormes em todos os que nos rodeiam. Só aceitando que somos paisagem uns dos outros é que faremos reais esforços para sermos a nossa melhor versão. Ninguém é moralmente responsabilizável, ao ponto do insuportável, se estiver genuinamente a tentar atingir a sua melhor versão como pessoa.

E num Lar de catorze pessoas, o constante apelo da vida para sermos a nossa melhor versão é gigante. É assoberbante. É esmagador… mas também será gratificante. Expansivo. Maravilhoso. Compensador. É talvez uma das mais transversais escolhas que podemos fazer e que estará na génese de todas as outras: Optar (escolha) como verdade, que a Vida nos oferece, sempre, duas faces do que quer que seja a sua proposta. Vêm agarradas, não há nada a fazer. Para saborearmos uma, vamos ter de viver a outra. Mas há sempre algo que podemos fazer (livre-arbítrio) para que tendencialmente vivamos mais uma do que a outra face.

Seremos sempre uns eternos aprendizes. Teremos sempre o outro a não nos dar o reconhecimento. Mas estará também tudo bem, se nos mantivermos dentro do nosso bem-estar sem roubar o bem-estar do outro.

Sejam atentos.

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Autor

Rui Melo
Escritor

Sou um produtor de pensamentos muito atento. Sei que a família e o Lar ocupam um lugar muito especial no crescimentos de qualquer pessoa, mas em especial, na formação das crianças.

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