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As várias Personagens do Lar

Posted on Dezembro 20, 2024Dezembro 22, 2025 by Rui Melo

No seio de um lar fervilhante, e sempre que acordamos, ficamos em modo de “angústia boa”. Uma angústia que dura até sabermos que “artista” iremos desempenhar nesse dia. Não acredito que nunca se sentiu um autêntico palhaço?! Ou talvez um contorcionista, quando as perguntas dos nossos filhos são de tão difícil resposta. Ou até mesmo um equilibrista, quando as contas para pagar pesam mais que os salários. Ou de palhaço rico, tal é a quantidade de pedidos de dinheiro para coisas mais ou menos fúteis. Mas o papel de que mais gosto, é o de Mágico. Aquela sensação que se tem, quando partimos do que é genuíno em nós e “resolvemos os mistérios da vida” perante os seus olhos observadores e brilhantes de admiração. Sermos idolatrados por eles não tem explicação…

A verdade é que o circo está montado todos os dias, com espetáculos regulares e sempre com o mesmo público. A tentativa de manter o “público” interessado, dia após dia… é uma tarefa hercúlea. Se pensar um bom bocado comigo, concordará… que tudo o que se passa num lar é em tudo parecido com o que se passa num circo… talvez um Circo de Improvisação.

Mas para se entender melhor o que se passa no nosso lar é preciso conhecer todas as personagens que por lá habitam. Pode parecer uma tarefa difícil, mas vamos ensinar-lhe um truque. Para reduzir essa dificuldade diremos que só temos quatro tipos de personagens em nossa casa. Independentemente do número de pessoas que coabitam o lar e desde que exista pelo menos um filho, estamos sempre a falar de uma família de quatro personagens. Curioso? É indiscutível que a dinâmica de qualquer família tem a sua própria música. A sua própria dança. A sua própria atmosfera. Mas por mais descendentes ou até mesmo parentes que tenhamos a coabitarem na nossa casa, tudo anda sempre à volta destes quatro tipos de personagem.

Vamos lá então desvendar todo este mistério. As quatro personagens do lar são: Eu; Nós; Tu; e, Eles. Destas quatro, umas são óbvias, mas outras nem por isso. O nosso lar é um lugar muito especial. Para além de ser também o nosso ninho, é um lugar onde cada um de nós desempenha um papel muito importante e recebe dos outros quase todas as ignições de que precisa para se sentir frequentemente confortável e preenchido por um bem-estar generalizado. Sentir o que cada uma destas personagens representa para o lar é “meio caminho andado” para se entender esse espaço e podermos (todos) acrescentar sempre alguma coisa para o melhorar.

A personagem Eu – É cada um de nós quando olha para os outros “residentes” e enquanto “residente”. É a personagem principal para que um lar seja um lar e não apenas uma casa de tijolos, telhas e cimento. Antes de o leitor evocar o seu pensamento de discórdia, dizendo que é o Nós o mais importante, deixe-me dizer-lhe uma coisa. Se não estiver bem consigo mesmo, acha que consegue trazer harmonia para o seu lar? Ou melhor dizendo… ao não estar bem consigo mesmo irá faltar-lhe sempre qualquer coisa. E isso que lhe falta, faz falta aos outros que habitam consigo. E aqui a partilha desempenha um papel nuclear. Um Eu que está bem consigo mesmo, não se subjugando ao Nós nem subjugando os outros, é um Eu que mantém a sua identidade. A identidade de cada Eu é o tesouro que se leva para o Lar. Todos esperam isso de nós. Se não acrescentarmos nada com o nosso Eu, aí sim, ficamos numa posição fragilizada. E é por isso que nomeio o Eu, como personagem principal para que tudo dê certo. Se todos os “Eu’s” lá do lar estiverem bem consigo próprios, estamos muito perto de atingir a verdadeira definição de lar – Um lugar onde podemos ser quem somos. Um lugar, de onde podemos almejar conquistar o mundo lá fora. Por isso… não perca o seu “Eu” de vista.

A personagem Nós – É a personagem que engloba toda a família que se “executa” no mesmo espaço. Podemos encontrar uma família em que todos os “Eu’s” se sentem bem, mas, quando em grupo, as coisas já não são o “Céu na Terra”. Em grupo nada é garantido. Em grupo todos os equilíbrios são conquistados diariamente. Mas também são postos à prova. Porque existe uma grande diferença entre funcionarmos sozinhos e termos de fazer imediatas cedências para que possamos funcionar em grupo. E ceder é dos exercícios humanos mais difíceis de concretizar. Mas dirá “como é possível, se estão todos individualmente bem?!” Claro que é possível. Basta que os alicerces do lar não estejam bem fundados. E a discussão, principalmente dos adultos, sobre que Lar queremos para nós, resolve uma boa parte disto.

Do outro lado desta história, teremos um lar bem “construído” se todos apostarem nas qualidades: neutralidade e dignidade. Neutralidade, no sentido em que todos podem ser o que quiserem, porque há respeito pela individualidade. E dignidade, no sentido do que chamamos do “Equilíbrio de Dignidades” à escala de cada um. Num exemplo: apesar de todos terem experiências diferenciadas em relação a um assunto que se discuta no seio da família, todas as opiniões contam e ninguém é “vaiado”. Um lar forte como este fomenta “Eu’s” de qualidade e satisfeitos com a vida. Mas, como já disse, não é antídoto para que, como “equipa”, as coisas não se descontrolem. O destino desta pessoa “Nós” não existe. Não existe no sentido de uma inevitabilidade. O destino do “Nós” é mais como uma receita. Carregue-se com os certos e bons ingredientes e sai uma prazerosa refeição. A personagem “Nós” também se perde temporariamente quando um filho sai de casa para seguir a sua vida independente. A família tende a precisar de algum tempo para se reencontrar. Algum tempo para voltar a sentir esta personagem comum e, até mesmo, voltar a verbalizar este “Nós”.

A personagem Tu – Esta personagem é a que provoca mais desafios a cada um de nós. Temos pela frente cada uma das personagens que connosco habitam. Cada uma delas com as suas especificidades, manias e amuos… bem, já perceberam. O mais difícil é que cada um dos “Eu’s” tem de tentar entender-se o melhor possível com cada um dos “Tu’s”, ou seja, os outros. Em matemática chama-se “combinações de n a n“. Numa família de 4 elementos, temos 6 relacionamentos diferentes entre cada duas pessoas. Ensinar que cada um dos “Tu’s” tem de se conectar com cada um dos outros, numa proximidade intimista e sem a “ajuda do público”. Ou seja, funcionarem uns com os outros sem passar pela personagem Nós. Diga-se de passagem, que é um desafio enorme adequar a nossa conduta com cada um dos outros. Numa família de vários filhos, o que a um ofende, a um outro é ignorado, e por fim, a um terceiro soa a uma piada. Não há paciência! Como cuidadores, que se preocupam em ser catalisadores do seu bem-estar, as diferenciadas atitudes têm, também elas, diferentes impactos. O segredo é estar atento para poder captar as singularidades de cada filho e depois usar da sensibilidade para estabelecer relações únicas e irrepetíveis.

A personagem Eles – Esta é, sem dúvida, a mais dolorosa de todas as personagens. A personagem “Eles” representa toda a família, mas sem a nossa presença. Ou seja, representa a forma como a família existe quando não estamos em casa. Poderá perguntar: “de que serve esta personagem se eu nem estou lá para observar?!” Acredite, é muito importante e é muito útil. Se nós soubermos que quando não estamos, a família age de forma diferente, podemos conseguir aprender o que nós acrescentamos ou diminuímos com a nossa presença. Mas como podemos ficar a saber sobre o que aconteceu se não estamos presentes?! Através das suas histórias. O normal é perguntarmos pelo que aconteceu, sempre que regressamos. Por exemplo: Imagine que, sempre que eu estou fora durante uns dias, a minha família faz mais actividades ao ar livre. Neste caso, duas conclusões óbvias que posso tirar: a de que sou um influenciador da família (isso é bom nas coisas boas e mau nas coisas más); e que, não sou uma pessoa dada a actividades ao ar livre. Afinal, a minha família até tem propensão para este tipo de actividade, mas deixa-se influenciar negativamente por mim. Nós gostamos de nos ver como os heróis lá de casa. E desse pedestal, muitas das vezes ignoramos estes pormenores que a personagem “Eles” revela. Neste caso, se soubermos como é que a personagem “Eles” funciona, podemos perceber as coisas em que podemos melhorar, se realmente queremos ser uma melhor versão de nós. Perceber o que a família ganha ou perde aquando das nossas ausências, dá excelentes pistas para crescermos como pessoa e, com isso, ajudar a fazer crescer o lar. Depois, resta a cada um dos Eu’s, e na posse de esta informação que a personagem “Eles” revela, tomar a consciência da mudança que quer e está disposto a operar em si.

Agora, já conhecem todas as personagens que habitam as nossas casas e as transformam todos os dias num Lar. Agora já sabemos que esta se parece realmente com um autêntico Circo de Improvisação. Apesar de tudo, são os pais que mandam e no fim de contas, essa hierarquia é bem vista como o normal da organização familiar.

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Autor

Rui Melo
Escritor

Sou um produtor de pensamentos muito atento. Sei que a família e o Lar ocupam um lugar muito especial no crescimentos de qualquer pessoa, mas em especial, na formação das crianças.

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